Por trás das ações terroristas existem sempre motivações ideológicas, religiosas ou libertárias. O terror que é a degeneração da luta política em guerra destituída de qualquer sentimento moral , não surge espontaneamente, não é simples reação feroz de algum indivíduo tresloucado. O terror se alimenta no farto arsenal de ódios criados pelo choque de idéias divergentes, pela opressão, pelo fanatismo religioso. Pode, sem dúvidas, ser vencido pelas armas como a história está a registrar, mas se persistem as causas do ódio ele ressurgirá tantas vezes quantas for derrotado pela repressão.
Menos de 8 dias depois do desatino dos assassinatos em Paris, pelo mundo já houve mais de 2 mil vítimas de ações terroristas.
São vitimas do ódio que, faz séculos, os brancos civilizados começaram a fazer nascer e crescer no resto do mundo que eles transformaram em colônias, e saquearam, escravizaram, exterminaram, espalharam doenças, mortes, opressão e injustiça.
Enquanto não se começar a pensar na paz como sucedâneo único e sensato para vencer o absurdo da guerra, pondo fim à violência respondida com mais violência, por mais que se matem terroristas eles irão ressurgindo renascendo das cinzas do ódio nunca aplacado.
Enquanto preconceitos e xenofobias não forem coisas do passado, enquanto a avidez gerar mais pobreza, o terrorismo permanecerá como arma sinistra dos desesperados e furiosos. Se algum dia for possível transformar ódio em entendimento, teremos construído a mais bela página da História do Homem. Enquanto isso não acontecer, acostumemo-nos às cenas do massacre.


