Gabriel Damásio
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O motoboy Laurindo Gomes Nascimento Junior, 33 anos, foi assassinado ao final da noite de anteontem no Conjunto Albano Franco, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Segundo informações apuradas pela polícia, ele foi vítima de um confronto a tiros que envolveu por um passageiro que ele levava e um inimigo deste passageiro. Laurindo, que estava desarmado e não tinha nada a ver com a rixa, morreu com cinco tiros e teve ainda uma pedra jogada contra a sua cabeça. O crime revoltou os motoboys e toda a comunidade do conjunto, que fez um protesto ontem à tarde, fechando a ponte José Rollemberg Leite, principal ligação entre o Complexo Taiçoca, em Socorro, e o Centro de Aracaju.
Segundo um dos primos da vítima, Cleones Santos, o passageiro seria um cliente que o contratava várias vezes para fazer corridas. Na noite do crime, Laurindo estava sua casa, no Conjunto Marcos Freire I, quando este rapaz telefonou e o chamou, pedindo que ele o levasse do Centro até o Albano. "Chegou no local onde o cliente queria ir, eles já foram recebidos à bala, a tiro. O primeiro tiro pegou na cabeça do meu primo e ele desequilibrou a moto. O passageiro que estava com ele também estava armado e começou a trocar tiros, só que conseguiu se evadir, mesmo levando um tiro na perna. E o meu primo caiu e quebrou a perna, não teve como fugir", disse.
Ainda segundo o relato, o segundo atirador agiu com crueldade: disparou mais quatro tiros contra Laurindo, sendo dois na cabeça e um no coração. Em seguida, o assassino retirou o capacete e tentou esmagar a cabeça jogando uma pedra. "Foi um crime bárbaro, que até agora a família não se conforma. A família está arrasada, A gente só quer Justiça. Onde é que está a Justiça do nosso estado? É bonito o governo mostrar na televisão que chamou 600 homens para a polícia. E agora? Onde estão os 600 homens agora? Onde está a segurança de um pai de família? Quem vai trazer a vida do meu primo de volta?", desabafou Cleones.
O passageiro atendido por Laurindo e que foi ferido na perna está internado no Hospital Regional José Franco, em Socorro. O estado de saúde e a identidade dele não foram divulgados, mas, segundo o cabo Amintas Oliveira, da Polícia Militar, trata-se de um homem que já foi preso por envolvimento em alguns crimes em Socorro e tinha uma rixa com este outro bandido. Ainda de acordo com o PM, alguns suspeitos já foram identificados, incluindo uma mulher que seria casada com o autor da morte do motoboy e chegou a ser presa com uma quantia em drogas. Estas informações, no entanto, são apuradas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
O corpo de Laurindo foi velado na casa da família e enterrado ao final da tarde de ontem no Cemitério São João Batista, no Castelo Branco (zona oeste). Mais de 100 motoboys e mototaxistas compareceram ao velório e decidiram fechar a ponte da Taiçoca, até a passagem do cortejo com o caixão do colega. Eles queimaram pneus na cabeceira da ponte e impediram a passagem dos motoristas. A PM fez um acordo com os manifestantes e apenas acompanhou o protesto. O Corpo de Bombeiros liberou a pista após a chegada do cortejo.
O clima da categoria era de muita revolta, pois eles relatam ser vítimas de vários assaltos nos últimos meses e temem ser mortos pelos bandidos. "Estamos fazendo esse protesto pedindo ao nosso governador, que prometeu segurança e a gente votou nele acreditando na promessa. Que ele resolva, porque eu votei para ele resolver os problemas da comunidade sergipana", criticou o motoboy Jefferson de Menezes, ao relatar que Laurindo fez aniversário no último dia 11 e deixou a profissão de caminhoneiro para trabalhar com moto-táxi. "Ele trocou de profissão pra morrer. Infelizmente, só pra morrer", completa.


