Seis homens foram presos nesta semana em uma operação do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil, nas cidades de São Francisco e Malhada dos Bois (Baixo São Francisco). Eles são acusados de roubar combustíveis de caminhões que eram abordados nas estradas e repassar o produto para alguns postos de gasolina que o revendiam a preços abaixo do de mercado. O grupo foi investigado durante cerca de oito meses e agia nos estados de Sergipe, Bahia e Alagoas. Os acusados foram apresentados ontem de manhã na sede do Cope, no Capucho (zona oeste de Aracaju).
Segundo a polícia, a quadrilha era liderada pelo baiano Aparecido Santana dos Santos, 55 anos, conhecido como "Cidinho ou Coroa", que foi preso junto com os sergipanos Júlio César Silva dos Santos, 30, José Cícero Soares, o "Cicinho", 33, Vildeis dos Santos, o "Bidu", 27, e José Antônio dos Santos, o "Tonho", 32. Todos os acusados tiveram suas prisões decretadas pela Justiça, incluindo o sexto preso, Ismael dos Santos Silva, 32, conhecido como "Rojão ou Bruno", que já estava detido em uma penitenciária no dia da operação.
Quatro dos acusados estavam em uma casa pertencente a Júlio César, em São Francisco, onde a polícia apreendeu três veículos, sendo dois carros e uma moto, 38 quilos de maconha prensada, balança de precisão, embalagens e munições para armas de calibres 38 e 380. Eles chegaram a tentar fugir, pulando o muro da casa, mas foram encontrados por agentes que cercaram as casas vizinhas. Por isso, eles também foram autuados em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Segundo a polícia, os crimes eram executados em rodovias e pátios de postos de combustíveis localizados em Sergipe e na Bahia, onde os criminosos abordavam os motoristas. Depois de renderem os motoristas e assumirem a direção dos caminhões, uma parte do grupo mantinha as vítimas reféns por várias horas, sempre amarradas, até serem abandonadas distante dos locais da abordagem.
"Enquanto as vítimas eram mantidas reféns, os outros integrantes do bando se apossavam dos caminhões e semirreboques roubados e os conduzia até o meio de um canavial localizado nas imediações do Povoado Nascença, em São Francisco, onde residiam alguns dos presos. Aproveitando-se da geografia do local, rapidamente a quadrilha transferia o combustível roubado para um caminhão-tanque pertencente a Aparecido, e após isso distribuía os combustíveis em postos localizados em Sergipe e Alagoas", explicou o delegado Hildemar Lima Rios, do Cope.
Em regra, quando os motoristas eram liberados, a carga já havia saído do Estado onde foi roubada ou já se encontrava armazenada no caminhão tanque utilizado pela quadrilha. Os caminhões roubados eram abandonados em canaviais situados no interior do estado de Sergipe. "Somente nos últimos meses, o prejuízo causado pela quadrilha se aproxima de R$ 500 mil", informou o delegado Jonathas Evangelista, diretor do Cope. As investigações revelaram ainda indícios de que os lucros obtidos por alguns dos presos com os roubos de combustíveis eram usados para comprar drogas em São Paulo e revende-las em Sergipe.
Revenda – O Cope descobriu ainda galões, tonéis e reservatórios utilizados para acondicionar combustível, bem como mangueiras e outros objetos que compõem a estrutura montada por eles para o comércio clandestino e ilegal de combustíveis. Esse material foi encontrado em casas usadas pela quadrilha, indicando que as cargas roubadas eram revendidas aos postos principalmente por Aparecido. Segundo a polícia, ele transportou combustíveis por vários anos, o que lhe possibilitou reunir vasto conhecimento sobre o funcionamento do transporte de combustíveis, além de ter contato com diversas pessoas que comercializam combustíveis, a exemplo de proprietários, gerentes e funcionários de postos em localidades de diferentes estados.
Durante as investigações, foram identificados casos em que motoristas que transportam combustíveis vendiam parte das cargas para os investigados que atuavam no comércio ilegal do produto, sendo que todas estas pessoas envolvidas serão convocadas para serem interrogadas no Cope, ou ainda presas, de acordo com o caso. A participação de outras pessoas que integravam a quadrilha ou colaboraram com ações dela também será investigada pela polícia.


