Os contribuintes não esperam muito. Uma legislatura limpa, sem a mácula de sucessivos escândalos, já estaria de bom tamanho. A 55ª legislatura da Câmara Federal, que inicia hoje, acompanhada por um novo ciclo nas Assembleias Estaduais, possui o desafio de reconquistar a confiança do cidadão, atualmente tão incrédulo dos próprios representantes em todas as esferas da administração pública. Um senhor desafio.
A cerimônia de abertura dos trabalhos da 55ª legislatura ocorrerá no Plenário da Câmara dos Deputados, conduzida pelo já eleito presidente do Congresso, com participação da nova Mesa. E é aqui, no jogo pelo poder, que mora o perigo. A movimentação em torno da candidatura do senador Renan Calheiros para a presidência da mesa diretora do Senado Federal, com vários partidos medindo força em negociatas, por exemplo, não deixa ninguém mentir.
O tamanho das bancadas é fundamental nessas negociações. Nesses números, o poder de fogo de cada partido, uma barganha com a cadeira conquistada com o voto dos eleitores, em troca de sabe-se lá o quê. A maior bancada eleita da Câmara de deputados é a do PT, com 69 deputados. Depois vem o PMDB, com 65; e o PSDB, com 54. Serão estes os principais responsáveis por tudo o que de bom e ruim for autorizado pelos representantes eleitos do povo.
Em âmbito estadual, o desafio é o mesmo. O escândalo envolvendo a aplicação das verbas de subvenção, por exemplo, prova que os deputados estaduais de Sergipe precisam se empenhar na recuperação da credibilidade perdida. Os fatos sugerem que eles também não têm as mãos limpas.


