Gabriel Damásio
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Um preso internado sob custódia da polícia conseguiu fugir do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), no final da manhã de ontem. O paciente, identificado como Jedson Gonzaga da Silva, o ‘Índio’, estava em uma ala vigiada por policiais civis e saiu do hospital horas antes de ser transferido para uma penitenciária, já que tinha recebido uma alta médica. A fuga foi percebida no começo da tarde e confirmada oficialmente pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), que anunciou a abertura de um inquérito sobre o caso na Corregedoria da Polícia Civil (Corregepol).
Jedson estava internado desde o dia 21 de janeiro, depois de ser baleado em um tiroteio ocorrido no Conjunto João Alves, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Na ocasião, ele foi autuado em flagrante por roubo, mas há suspeitas de que ele teria envolvimento com o tráfico de drogas. Segundo informações obtidas por meio da assessoria da SSP, o preso estava algemado pelos pés e atado a uma maca, mas, com o auxílio de uma ferramenta, conseguiu desparafusar um dos ferros e retirar a algema que o prendia ao leito.
Depois, ele teria enfaixado a perna na qual estava a algema, apresentado um documento de alta médica na portaria e saído pela recepção, abraçado a uma mulher e sem ser notado pelos policiais que estavam no hospital. Policiais civis e militares chegaram a fazer buscas pelo bairro Capucho (zona oeste) e imediações, mas ‘Índio’ não foi encontrado.
Alegando "questão de segurança", a SSP não quis confirmar quantos presos estavam no Huse e quantos agentes trabalhavam na segurança deles. No entanto, segundo fontes policiais, o número é considerado insuficiente para os pacientes presos que estão internados no Huse. A hipótese mais considerada pela polícia é a de que a ferramenta usada por ‘Índio’, provavelmente uma "chave allen" (usada em parafusos com seis lados na base), teria sido repassada a ele durante o horário de visitas por algum parente que também teria colaborado com a fuga – a esposa do paciente é apontada como a principal suspeita.
O JORNAL DO DIA também foi informado de que Jedson havia recebido a alta médica pela manhã, mas esta alta não havia sido comunicada aos policiais que lá estavam de plantão, nem à Coordenação da Delegacia Plantonista – responsável pela custódia do Huse. A assessoria da SSP não confirma a informação. Já a do Huse não quis se manifestar sobre a fuga e disse que a responsabilidade pela custódia dos presos internados é da Polícia Civil. Um relatório completo do caso foi redigido pela Deplan e entregue no fim da tarde à Corregepol, cujo inquérito será aberto formalmente hoje e vai apurar se houve falhas dos policiais que estavam de serviço no hospital.
Inseguro? – A fuga volta a chamar atenção para a falta de segurança nas unidades hospitalares públicas, sobretudo o Huse, que é o maior e principal do estado – e enfrenta um problema de superlotação.
Para lá também são encaminhados os presos em flagrante que precisam de atendimento médico. Um deles é Fábio Vieira Dantas, 35 anos, internado desde a madrugada desta segunda-feira e acusado de ter provocado a morte da própria filha, Sofia, de um ano e seis meses, no Conjunto João Alves. Fábio, que teria também tentado o suicídio, permanece internado sob custódia na Ala Vermelha, mas sua saúde é considerada estável. Apesar de estes pacientes serem vigiados por policiais civis, a segurança do Huse é feita por vigilantes terceirizados que, por força de lei, sequer podem ficar armados dentro da casa de saúde.
O caso mais grave de violência no hospital foi a "Chacina do Huse", ocorrida em 27 de abril de 2012, quando três pacientes foram mortos com tiros na cabeça dentro do Pronto-Socorro. O crime foi cometido por três irmãos e um sobrinho deles, que invadiram o local armados, para vingar a morte de um padeiro que também morreu baleado no bairro São Carlos. Os réus, entre eles dois policiais militares, respondem ao processo em liberdade e ainda aguardam julgamento.


