Motorista se apresenta à SSP e diz que perdeu controle de caçamba na SE-90

Gabriel Damásio

O motorista Carlos Henrique Siqueira Souza, 22 anos, que dirigia a caçamba envolvida no acidente ocorrido quinta-feira passada na rodovia SE-90, em Laranjeiras (Vale do Cotinguiba), se apresentou às 10h de ontem na sede da Delegacia-Geral de Polícia Civil, no bairro São José (zona centro de Aracaju). Ele estava sendo procurado desde o dia do acidente, ocasião em que a caçamba bateu em um micro-ônibus da Coopetaju que estava a caminho da capital. O choque deixou seis mortos e 24 feridos. A notícia da apresentação só foi confirmada ao início da noite pela Secretaria da Segurança Pública (SSP)
Henrique compareceu à sede da Polícia Civil acompanhado por um advogado e prestou depoimento ao delegado-geral Everton Santos, com quem a família do motorista vinha negociando a sua apresentação à polícia. Ele foi liberado depois de cerca de uma hora, por não se encontrar mais em "estado de flagrante". Entretanto, segundo a assessoria da SSP, assumiu o compromisso de ficar à disposição do delegado Marcelo Paes, da Delegacia de Laranjeiras. Responsável pelas investigações do acidente, Paes deve receber hoje uma cópia do depoimento prestado à Delegacia Geral, mas já adiantou que quer marcar um segundo depoimento para esclarecer "contradições" na versão apresentada pelo condutor.

Segundo a SSP, o caçambeiro alegou que bateu no ônibus porque perdeu o controle do carro e a pista da rodovia estava escorregadia, devido às chuvas que aconteciam naquele momento. Disse também que não consumiu bebidas alcóolicas e estava dirigindo em velocidade normal. Carlos negou ter avançado na faixa contrária por onde seguia o micro-ônibus, mas não lembra exatamente como perdeu o controle do veículo.
Sobre a fuga do local do acidente, Carlos disse que saiu de lá com medo de ser linchado e procurou atendimento médico em um hospital fora de Laranjeiras, pois entrou em estado de choque e chegou a passar mal. Afirmou igualmente que saiu da cidade por medo de ameaças de morte que vinha sofrendo. O motorista ainda admitiu que não é habilitado para dirigir caminhões e veículos pesados, enquadrados na categoria D.

Conforme já foi confirmado pela Delegacia de Laranjeiras, Henrique tem habilitação só para dirigir carros de passeio, da categoria B. a infração está prevista no Código Brasileiro de Trânsito. Outras constatações apareceram no tacógrafo da caçamba, que foi apreendido no local do acidente, junto com os documentos do carro e do motorista. O tacógrafo registrou que o veículo estava acima da velocidade permitida na SE-90 – de 60 quilômetros por hora – e marcava 80 km/h ao bater no coletivo.
O delegado Marcelo Paes informou que o inquérito policial continuará sendo realizado normalmente, independente da convocação ou não de Henrique para o segundo depoimento. "Já ouvimos os sobreviventes e estamos aguardando os laudos cadavéricos do Instituto Médico Legal (IML), as perícias do Instituto de Criminalística e o laudo produzido pela Companhia de Polícia Rodoviária Estadual (CPRV), que foi encaminhado ao Detran/SE, para chegar a uma causa do acidente", disse o delegado.

Superlotada – A polícia também deverá responsabilizar a Coopetaju, empresa responsável pela linha, pois as investigações da PC e os levantamentos da CPRv apontaram que o ônibus acidentado estava fora da rota permitida (pelas BRs 101 e 235 até o Centro de Aracaju) e estava com a lotação acima da capacidade de passageiros.

Os carros da empresa têm vagas apenas para 28 passageiros sentados, mas alguns depoimentos ouvidos pela polícia apontam que havia pelo menos seis ou sete passageiros viajando em pé no coletivo envolvido na tragédia da SE-90, contrariando uma norma das autoridades de trânsito. No mesmo dia do acidente, a Coopetaju foi autuada pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), depois que um coletivo da linha Aracaju/Gararu foi abordado na BR-235, em Itabaiana, levando 47 passageiros a bordo.

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