Milton Alves Júnior
A falta de médicos tem causado transtornos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que se dirigem à Unidade de Pronto Atendimento Nestor Piva, zona Norte de Aracaju, em busca de atendimento de urgência. Nas últimas 48 horas grandes filas têm se formado na unidade, obrigando os sergipanos a aguardar até 10 horas seguidas para serem atendidos. Diante do serviço visivelmente precário apresentado pela Prefeitura de Aracaju, a população exige que medidas imediatas sejam adotadas pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), a fim de evitar maiores complicações para os pacientes. Na tarde de ontem, por volta das 16h30, mais de 40 pessoas aguardavam por atendimento. Parte dos pacientes havia iniciado protocolo de consulta antes das 9h.
Esse é o caso do funcionário público Edeilton dos Santos. Reclamando de forte dores, ele buscou assistência médica na unidade às 8h45, e até o final da tarde não possuía informações de quando seria realmente avaliado pelos profissionais em plantão. Para o denunciante, é preciso que fiscais do Ministério Público Estadual (MPE) volte a vistoriar o espaço e punir os médicos e enfermeiros que estariam faltando ao expediente. "Não tem condições uma coisa dessas. Estou aqui todo me tremendo e ninguém me atende. Já fui três vezes falar com a recepcionista e ela só me diz que faltaram dois médicos e que não sabe dizer que horas vou entrar. Vou morrer aqui na fila de espera e nenhum médico vai se importar. Esse é o retrato da saúde do município", lamentou.
Durante polêmica referente ao reajuste no Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), o secretário municipal da Fazenda, Luciano Paz Xavier, que também responde pela Secretaria de Saúde, foi criticado por tentar administrar duas importantes pastas no mesmo instante. Essa situação tem gerado prejuízos para ambos os seguimentos públicos, segundo os contribuintes. Durante as reclamações de ontem, nenhum funcionário do Nestor Piva concedeu entrevista ao Jornal do Dia. Mesmo ciente do caos criado desde a manhã da última segunda-feira, 23, nenhum gestor da SMS foi até o local para analisar as críticas da população.
Também aguardando por atendimento, a doméstica Maria Lúcia disse não suportar tanta demora, mas lutar contra as dores era o único jeito de aguardar ser chamada pelos médicos. "Quem disser que a saúde do município melhorou é porque está cego e perdeu todos os sentidos, porque esperar mais de sete, oito, nove horas por um atendimento médico não é nada normal. Só quem passa por esse perrengue como o de hoje sabe muito bem que nada melhorou. A informação é que os médicos faltaram ontem e hoje, e a gente tem que esperar mesmo pelo chamado do médico", afirmou.
Durante o período de espera alguns aracajuanos decidiram não aguardar a convocação dos médicos e seguiram para o setor de urgência e emergência do Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). A migração dos pacientes foi apontada pelos servidores do Nestor Piva como procedimento normal.
Na segunda-feira, conforme pacientes que persistiam no atendimento municipal, a situação também foi de negligência. Com dores pelo corpo desde a noite de domingo, o auxiliar de pedreiro Mathias dos Santos, de 22 anos, peregrina na UPA desde as 7h de segunda-feira. Com informações repetitivas, o paciente chegou a clamar por uma medicação que servisse como medida paliativa, mas o pleito foi negado. "Eu só queria um remédio que amenizasse a dor pelo menos até eu ser atendido pelo médico. Eu até aceitaria esperar sentado, ou deitado na grama enquanto o médico não me chamava, mas nem isso eles me deram e acabei sendo atendido no Huse. Lá tinham outros que tinham saído do Nestor Piva", disse.
Fluxo – Em resposta concedida ao Jornal do Dia, a Assessoria de Comunicação da Secretaria Municipal de Saúde informou que o acúmulo de pacientes nas segundas-feiras é normal. Conforme contabilidade de atendimento semanal, sempre após os finais de semana e feriados o fluxo de atendimento registra um aumento de 20% se comparado aos demais dias. Paralelo a esse aumento, os casos de urgência são prioridade em todas as unidades de saúde, essa preferência pode contribuir para a demora. Quanto a possível falta de médicos a jornalista Alexandra Brito informou: "Todos os dias eu recebo um relatório informando se houve, ou não, ausência de algum especialista. Até o momento essa falta não foi registrada, mas o caso será analisado pela secretaria".


