Professores cobram reajuste integral do piso para todos

Milton Alves Júnior

Na luta por reajuste salarial de 13,01%, melhores condições de trabalho e não repasse de unidades escolares estaduais do Ensino Fundamental aos municípios, docentes de várias cidades sergipanas se reuniram na manhã de ontem, em Aracaju, a fim de pressionar o governador Jackson Barreto a atender o pleito da categoria. Reunidos em frente à sede da Secretaria de Estado da Educação (Seed), os professores exigiam uma reunião imediata com o secretário Jorge Carvalho do Nascimento e receberam o apoio de técnicos auxiliares. Conforme denúncias apresentadas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Básica da Rede Oficial de Ensino (Sintese), até a semana passada 25 escolas de responsabilidade estadual já haviam sido transferidas para os municípios.

Baseando-se em boletins de ocorrência, os profissionais aproveitaram a mobilização para cobrar do Estado qualificação em caráter de urgência na segurança pública, dentro e fora das escolas. Para a categoria, os professores têm se mostrado temerosos com a onda de violência que predomina em algumas regiões de Sergipe, em especial, em determinadas escolas que ao longo dos últimos anos contabiliza crescente índice de atos inconstitucionais muitas vezes promovidos pelos próprios alunos. O último caso de vasta repercussão foi notificado no dia 19 deste mês quando vândalos atearam fogo no carro de uma professora enquanto a vítima participava de reunião no Colégio Estadual Professor Antonio Fontes Freitas, conjunto Marcos Freire I, no município de Nossa Senhora do Socorro.

Na avaliação feita pela professora Ângela Melo, presidente do Sintese, apesar do caos que gera problemas constantes na rede estadual de ensino, os prédios e serviços realizados pelo Governo de Sergipe ainda conseguem ser melhores, se comparado à educação pública ofertada pelos municípios. Durante entrevista a sindicalista se mostrou preocupada com as medidas apresentadas pelo novo secretário e avaliou as mudanças como: significativo retrocesso da educação e desvalorização dos professores. "Não concordamos com a ideia de entregar os prédios do Estado para os municípios e junto com eles, os estudantes. Nossas indagações são: primeiro, os professores irão pra onde? E os prédios públicos, como os municípios vão manter, ou melhorar a estrutura que aí está?", indagou.

Dando sequência aos atos, no próximo dia 15 de abril os professores irão realizar uma marcha na capital sergipana com o objetivo de fortalecer o cumprimento das reivindicações apresentadas desde fevereiro. A expectativa por parte dos docentes é que até lá alguma novidade positiva possa agradar aos manifestantes e evitar possíveis novos contratempos. Questionada sobre a possibilidade de greve, a presidente não descartou. "Quem faz a greve acontecer são os gestores quando não atendem ao nosso pedido, ou sequer se mostram interessados em debater de forma clara os nossos pleitos. Esperamos que até o dia 15 o secretário cumpra com a promessa de audiência com a categoria. Essa promessa foi feita e até hoje não nos deu retorno", esclareceu Ângela Melo.

Encontro – Em nota encaminhada pela Assessoria de Comunicação da Seed, foi informado que ainda hoje o secretário Jorge Carvalho deve receber uma comissão formada por sindicalistas. A meta é debater as pautas apresentadas de forma pacífica na manhã de ontem. A Ascom da secretaria garantiu ainda que, caso o debate não seja possível nesta quarta-feira, um novo dia e horário serão definidos em comum acordo.

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