Impactos causados pelo uso dos agrotóxicos em trabalhadores e consumidores são debatidos

Os danos causados pelos agrotóxicos aos trabalhadores rurais pela aplicação e os efeitos que geram à saúde das pessoas pelo consumo de alimentos contaminados foram alguns dos temas tratados durante o seminário "Os impactos Socioeconômicos e na saúde dos trabalhadores e trabalhadoras rurais decorrentes da monocultura praticada pelo agronegócio e do uso de agrotóxicos", realizado na manhã desta sexta-feira, 27, no plenário da Assembleia Legislativa de Sergipe. O evento foi realizado pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados, atendendo a um requerimento apresentado pelo deputado federal João Daniel (PT/SE), e também discutiu como minimizar esses efeitos.

As galerias e o plenário da Assembleia ficaram lotados por participantes do seminário que debateram as causas dessa utilização inadequada e da forma que vêm sendo manipulados os agrotóxicos e os danos causados tanto para os trabalhadores como para os que consomem os produtos cultivados com a sua utilização. Agricultores, técnicos, representantes dos movimentos sociais, entidades governamentais, estudiosos sobre o tema colaboraram com o debate e propostas para tentar mitigar esse problema que tem crescido a cada dia no Brasil.

O deputado João Daniel ressaltou que esse é um tema de grande importância e por isso propôs um debate amplo sobre ele nesse seminário. Para ele, é de extrema gravidade a situação que temos vivido no país. "Já está comprovado, através de pesquisas, contaminação de leite materno por agrotóxicos consumido pelas mães, contaminação da água da chuva e consequentemente da terra e com isso um agravamento das doenças", disse.

Durante o seminário, os participantes discutiram os problemas ambientais resultantes do uso desses produtos e destacadas as ações governamentais destinadas à superação dos problemas relacionados. Participaram da primeira mesa, o procurador regional do Trabalho e coordenador do Fórum Nacional de Combate aos agrotóxicos, Pedro Luiz Gonçalves Serafim, que representou o procurador-geral do MPT; o procurador do Trabalho em Sergipe e coordenador do Fórum estadual, Manoel Adroaldo Bispo; o coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) em Sergipe, Gileno Damascena; o coordenador nacional da Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, Jorge Montalván Rabanal.

O procurador Pedro Serafim lembrou que o MPT é fiscal da lei e sua obrigação é fazer cumprir a lei. Segundo ele, existem várias dificuldades no setor regulatório. "O Estado está desaparelhado", afirmou. Para ele, a sociedade deve ver isso, porque ela participando também fortalece o trabalho do Ministério Público do Trabalho, que não pode estar ausente desse tema que são os agrotóxicos.
O procurador do Trabalho em Sergipe, Manoel Adroaldo Bispo, coordenador do Fórum Estadual de Combate aos Agrotóxicos, também destacou os problemas dessa utilização
Representando o MST, Gileno Damascena disse que a luta dos movimentos camponeses ligados à Via

Campesina tem sido denunciar esse uso indiscriminado desse modelo agressivo de cultivo no mundo. Ele lembrou que enquanto alguns países na Europa estão banindo o uso de agrotóxicos, o Brasil caminha na contramão. "Nós dos movimentos sociais temos lutado pelo fortalecimento da agricultura camponesa, contra o uso de agrotóxicos e é obrigação nossa estar nas fileiras e apoiar os assentamentos que estão na transição para a agroecologia, mas essa responsabilidade toda não pode ser jogada toda para o agricultor, disse Gileno, ao ressaltar que o seminário serviu também para revigorar movimentos e técnicos que lutam pela agroecologia.

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