Milton Alves Júnior
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Através da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), a Prefeitura de Aracaju decidiu, por segurança, cessar a limpeza de vegetações que vinha sendo promovida na Praia de Atalaia, nas proximidades do Banho Doce. Após a ocorrência de dois crimes, quando os responsáveis esconderam os corpos em meio ao matagal, a população aracajuana começou a pleitear a retirada imediata das plantas que chegaram a alcançar 2,5 metros. A reivindicação começou a ser atendida pela Emsurb, mas teve o trabalho interrompido em decorrência da grande quantidade de dutos construídos pela Petrobras. Com a utilização de tratores, o risco de vazamentos ou explosões passou a ser constante e estava pondo em risco a integridade física de operários, motoristas, ciclistas e pedestres que transitavam pelo local.
Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o diretor de serviços urbanos, Humberto Santana, garantiu que a meta da administração municipal era podar a vegetação típica da região assim como foi feito no início deste ano nas intermediações da Passarela do Caranguejo, também bairro Atalaia. Todo o serviço que visava atender os desejos dos moradores e garantir a segurança dos banhistas vinha sendo acompanhado de perto por técnicos do Ministério Público Estadual (MPE). Diante desta problemática, o serviço de corte realizado até o último sábado, 04, deu espaço para funcionários que já recolhem todos os montes de folhas secas que se acumulam e causam riscos de novos incêndios. Durante o feriado prolongado, dois focos de incêndio foram registrados na região.
Para o diretor, entre as hipóteses das ações que teriam causado o transtorno está o arremesso de pontas de cigarro, ou forte onda de calor que predominou nos últimos cinco dias na capital sergipana. "Estamos intensificando esse trabalho de recolhimento das folhas secas para limpar o espaço e para evitar que outros pontos de chamas sejam identificados. Nossa ideia era dar sequência ao que vem sendo feito na Passarela do Caranguejo, mas por segurança tivemos que parar, ao menos por enquanto. Toda e qualquer ação que adotamos temos comunicado ao Ministério Público que se mostra interessado em nos ajudar nesse serviço", afirmou Humberto Santana.
Polêmica sobre uma possível queimada feita por funcionários da Emsurb começou a circular nas redes sociais, mas foi descartada pelo gestor. De acordo com Humberto, as informações são falsas e só servem para causar desgastes para a administração pública do município. "Assim que recebemos informações sobre a queimada encaminhamos de forma emergencial equipes até o local. Estudos sobre as possíveis causas deste incêndio já estão sendo feitos, mas podemos garantir desde então que nenhum de nossos trabalhadores causou a queimada. É preciso que as pessoas não joguem nenhuma ponta de cigarro porque a área é de risco e qualquer fogo pode causar sérios danos", pontuou. Até o momento não foi apresentada nenhuma outra forma de cortar a vegetação sem provocar os riscos apontados pela Emsurb.
Reprova – Para os moradores da região, a desculpa de possíveis cuidados não significa que alternativas diversas sejam adotadas a fim de reduzir o tamanho vertical alcançado pela vegetação. Segundo a advogada Luana Bittencourt, foices e facões podem ser utilizados para reduzir a mata sem provocar riscos de perfuração das tubulações. "Estamos falando de tubos subterrâneos e não minas que não devem ser pisadas. Se usar tratores pesados podem causar danos, então por que não usar operários com foices, por exemplo? O que não concordamos é com aquele matagal todo que causa medo para quem realiza atividades físicas na área. Ali virou esconderijo de malandro", declarou. Enquanto soluções não são apontadas, apenas a parte da Passarela do Caranguejo continua recebendo a ação dos agentes de limpeza urbana.


