Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br
Dois homens foram presos em flagrante por volta das 13h30 de ontem, ao serem flagrados tentando matar outros dois rapazes que seriam seus inimigos. O crime aconteceu na Avenida Bastos Coelho, no bairro Industrial (zona norte da capital) e foi flagrado por uma equipe de policiais militares do Grupo de Ações Táticas do Interior (Gati). Um dos envolvidos, o desempregado Washington de Aragão Silva, 21 anos, foi atingido com vários tiros e caiu em um canal, onde morreu. Os autores do ataque, identificados como Felipe Calixto da Silva, 21, e José Marcos Lima Queiroz, 20, foram detidos no momento em que tentavam matar o segundo alvo, o qual aproveitou a chegada da polícia para fugir.
Calixto e Queiroz, que moram no Parque dos faróis, em Nossa senhora do Socorro (Grande Aracaju), estavam com três revólveres calibre 38, sendo um deles abandonado pelo suspeito que fugiu, e 13 munições deflagradas. As armas foram apreendidas. De acordo com o tenente Fábio Lemos, subcomandante do Gati, sua equipe estava saindo de sua base, no Parque da Cidade, e passava pela avenida Euclides Figueiredo, quando foi avisada do homicídio.
"Os populares nos informavam que havia dois homens matando uma pessoa. Fizemos as diligências e nós encontramos o Felipe e o José Marcos efetuando disparos contra o terceiro elemento. Nisso, nós desembarcamos da viatura, demos voz de prisão e os dois se renderam jogando a arma no chão. O terceiro homem também jogou a arma e conseguiu se evadir", disse o oficial, destacando a intervenção rápida da PM. "Vale destacar que a ação rápida e eficiente da nossa equipe impediu a consumação do segundo homicídio e propiciou a retirada de três armas de fogo de circulação na mão de bandidos. Uma delas, inclusive, tem numeração raspada e provavelmente foi subtraída de algum vigilante de empresa de segurança privada", concluiu.
Ao serem presos, os dois admitiram que portavam duas das armas e usaram-nas para cometer o crime, mas alegaram ter agido em defesa própria, pois Washington e seu parceiro também estariam armados. "Uma vez, ele tentou me roubar, só que eu reagi e saí correndo. Deixei passar um tempo e hoje, eu estava passando por lá [Bastos Coelho], vi ele e aí começou a troca de tiros", alegou Felipe, dizendo também que não sofria ameaças, mas andava armado por medo de ser atacado pelos rivais. "Quando a pessoa sai da cadeia, tem inimigo na rua", justificou o acusado, que já foi preso por assalto à mão armada e já cumpriu parte da pena no Complexo Penitenciário Antônio Jacinto Filho (Compajaf), no bairro Santa Maria (zona sul).
José Marcos, por sua vez, admitiu que conhecia Felipe, mas também insistiu na versão de legítima defesa, segundo a qual Washington estaria armado. "Na hora em que a gente chegou lá, eles já responderam metendo bala na gente e a gente reagiu. Eu me arrependo, não era pra ter acontecido isso, mas foi ele que tentou contra a vida da gemente primeiro. A gente não vai morrer, não é?", disse o acusado, ao confirmar que esta foi a sua primeira passagem pela polícia.
A versão dos presos vai ser apurada pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que já começou a investigar o crime. Os policiais militares do Gati admitem a hipótese de uma rixa entre os envolvidos, mas suspeitam de que a iniciativa de matar o desempregado partiu dos próprios acusados, motivado por questões ligadas a drogas ou dívidas de drogas. Calixto e Queiroz foram autuados em flagrante por homicídio qualificado e porte ilegal de arma.
Resgate – O trecho da avenida onde aconteceu o crime foi interditado pela polícia e cercado por dezenas de vizinhos e curiosos, que não quiseram dar informações sobre o crime. O corpo de Washington, que usava óculos escuros e uma bermuda quando morreu, só foi retirado do canal por volta das 15h30, com a ajuda de duas equipes do Corpo de Bombeiros e de peritos criminais da Força Nacional de Segurança. Após o levantamento de campo dos peritos, os bombeiros usaram uma escada para entrar no canal, recolher o cadáver e entrega-lo à equipe do Instituto Médico Legal (IML).
Alguns poucos parentes do desempregado também estiveram no local onde ele foi morto. Desolada, uma mulher ligada à família negou que Washington fosse usuário de drogas, mas admitiu que ele costumava andar na rua com alguns parceiros e mal chegava a dormir em casa, chegando a ficar mais de um mês na rua. "Ele pode ter procurado alguma coisa, algum motivo. Acho que não fizeram isso com ele de graça", suspeita a parente.


