Milton Alves Júnior
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A frente fria que tem predominado na Grande Aracaju nos últimos três dias gera, também, prejuízos ainda incalculáveis para centenas de moradores que residem nos demais municípios sergipanos. Na cidade de Lagarto ruas ficaram inundadas e diversos estabelecimentos comerciais foram invadidos pela correnteza que se formou durante as fortes chuvas que caíram na madrugada de domingo para segunda-feira. Já em Itabaiana as chuvas, atreladas às rajadas de vento contribuíram para que árvores caíssem, muros de residências viessem ao chão e vários carros ficassem semicobertos. Para os próximos dois dias o Centro de Meteorologia do Estado de Sergipe prevê tempo instável e com pancadas de chuvas em todas as regiões.
Diante do mau tempo atrelado à falta de atenção e prudência de alguns condutores automotivos, foi registrado o crescimento de acidentes em diversos trechos de rodovias estaduais e federais. O caso mais grave foi identificado no município de Campo do Brito, onde um motorista acabou perdendo o controle do automóvel, aquaplanou na pista e caiu em uma ribanceira de aproximadamente 10 metros de altura. Para atender aos três passageiros que ficaram gravemente feridos foi preciso acionar uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), e a Polícia Militar através do Grupamento Tático Aéreo (GTA). Coordenadores do Corpo de Bombeiros e Defesa Civil chamam a atenção dos sergipanos para continuar com atenção redobrada.
Conforme avaliação do coronel Reginaldo Moura, coordenador da Defesa Civil Estadual, o temporal tem causado dezenas de desmoronamentos de imóveis e árvores nas últimas 48h. Para evitar sinistros, os técnicos recomendam que os sergipanos repassem informações coerentes para a central de atendimento do Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp 190). "Estamos recebendo alguns chamados nos últimos dias e contribuído para salvar vidas. Estamos passando por mais um momento de instabilidade climática onde todos os cuidados devem ser redobrados. Nossa equipe continua atenta a todos os acontecimentos e dispostos a atender a todos", declarou. Devido aos danos causados pela chuva, parte do comércio de Itabaiana ficou sem funcionar na manhã de ontem.
Com prejuízo orçado em R$ 3.500, a microempresária Edineide Sant’Anna Ribeiro, proprietária de uma boutique para crianças, lamentou o incidente e atrela a situação difícil enfrentada por muitos comerciantes à falta de infraestrutura da cidade. Em outubro de 2013 a vendedora disse ter passado por situação semelhante e desde então tem trabalhado para tentar inibir este tipo de ocorrência. "Mas não está adiantando porque a força da água invade mesmo o que tem pela frente. Se não tem bueiro desentupido e sistema de esgoto que funcione de verdade, toda a água acaba entrando pelas casas e lojas. Fiz um murinho na frente, mas é muito insignificante para a força da natureza e descaso do serviço público", lamentou.
Nas primeiras horas de ontem a desordem causada pela frente fria também atrapalhou pacientes, agentes de saúde, motoristas e pessoas que transitavam nas intermediações do Hospital de Cirurgia. O problema generalizado teve início por volta das 6h20 quando uma árvore caiu na Rua Permínio de Souza. Segundo o taxista José Everaldo Pereira, a fragilidade da árvore não suportou a força do vento e despencou. "A sorte é que não estava passando nenhum pedestre na hora. Só atingiu de leve o carro de uma médica que chegava para o plantão", disse. Esse foi o terceiro caso de árvore cair na região. No último sábado duas tombaram na Praça da Bandeira e destruíram 60% da estrutura física de uma lanchonete.
Entre a sexta-feira e o domingo, o acumulado da chuva foi de 125mm no litoral, 65mm no agreste e no centro-sul e de 15 à 20mm no sertão. "Sergipe já registra 50% da média das chuvas esperadas para todo o mês, sobretudo nas regiões do litoral, agreste e centro-sul. No sertão, o índice representa 20% do esperado", informou o meteorologista Overland Amaral. A chuva também elevou o nível de armazenamento de águas dos rios e barragens, a exemplo da barragem do rio Poxim. "A previsão climatológica para o período compreendido entre os meses de abril e julho é de chuvas com intensidade de normal à acima da média", concluiu Overland.


