Milton Alves Júnior
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Mesmo com o mau tempo de ontem, comerciantes e moradores sergipanos começaram a reorganizar a desordem deixada pelos efeitos da natureza nos últimos dias. No município de Itaporanga D’Ajuda moradores encontraram dificuldades para remover parte da lama deixada pela enxurrada que destruiu móveis e eletrodomésticos. Durante a manhã de ontem o nível da água em algumas ruas do centro voltou a subir e causar mais preocupação para os habitantes da região. Situação semelhante foi identificada em Lagarto, onde o temporal causou prejuízos até para donos de rebanhos e galinheiros. Pastos ficaram alagados e centenas de bois e vacas ilhadas.
Diante da inviabilidade na retirada natural de leite, o movimento de consumidores caiu e resultou em problemas para a economia local. Parte dos serviços voltou a se normalizar a partir das 15h de ontem. Já na Praça da Bandeira, onde duas árvores caíram em cima de uma lanchonete no último sábado, em Aracaju, o período vespertino foi de trabalho acelerado a fim de tentar resolver os problemas gerados pela frente fria que predominou no Estado de Sergipe. Depois de mais de 20 anos de funcionamento, o ponto comercial encontra-se fechado e sem perspectiva de reabertura para os próximos 15 dias. Durante a tarde de ontem três trabalhadores estiveram no local para agilizar o serviço de reestruturação física e análise dos prejuízos que continuam sendo contabilizados pelos proprietários.
Na avenida Hermes Fontes a chuva que caiu na madrugada de ontem foi suficiente para desmoronar parte do teto de uma farmácia instalada na localidade. Com a inesperada passagem repentina da tempestade, no período da tarde pedreiros e trabalhadores de uma empresa de gesso reparavam os prejuízos. Segundo a farmacêutica Nicélia Azevedo, algumas caixas de medicamento foram danificadas e devem voltar para as indústrias. "Foi tanta água que nem o teto da farmácia aguentou. A sorte é que o que caiu foi uma pequena parte dos fundos onde ficava o depósito, e depois das 10h a chuva começou a passar e o céu ficou limpo, bom para agilizar os reparos", afirmou. Ao contrário dos outros estabelecimentos citados na matéria, a farmácia não teve o atendimento ao público interrompido.
Tarde de muito trabalho também nas dependências internas e externas do Ipes. Diante da força da chuva que caiu de forma intensa e contínua na madrugada, goteiras contribuíram para atrasar o serviço de atendimento a pacientes em busca de assistência médica. Com situação semelhante, alguns postos de saúde da capital tiveram dificuldade para resolver os estragos estruturais e ampliação no número de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) que aguardavam consultas. Depois de quatro dias com registro de chuvas em todas as regiões de Sergipe, muitos torcem para que esta quarta-feira seja de tempo aberto. A meta é dar velocidade aos reparos antes que novas frentes frias cheguem ao estado e contribuam para ampliar o caos récem instalado.
De acordo com o Centro de Meteorologia, em Sergipe foi registrado 50% da média das chuvas esperadas para todo o mês, sobretudo nas regiões do litoral, agreste e centro-sul. No sertão, o índice representa 20% do esperado. Ao contrário do que desejam alguns sergipanos que se dizem prejudicados com o temporal, a perspectiva é de período compreendido entre os meses de abril e julho de chuvas com intensidade de normal a acima da média. "Com essas previsões, torço mais ainda que essa semana seja de tempo estável, sem chuva. Precisamos correr para concertar os problemas no teto e reforçar o resto da loja para aguentar o inverno que nem começou e já gera dor de cabeça", disse o empresário Aldemir Correia, que também foi prejudicado pelo mau tempo.
Entre a sexta-feira e o domingo, o acumulado da chuva foi de 125mm no litoral, 65mm no agreste e no centro-sul e de 15 a 20mm no sertão. O Centro de Meteorologia recomenda ainda todos os sergipanos a acompanhar diariamente as atualizações climáticas, assim dependendo da vulnerabilidade das áreas e situação de risco solicitar o auxílio operacional da Defesa Civil: (79) 3179-3761.


