Presos três acusados de matar adolescente com 20 tiros

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

O Setor de Homicídios da Delegacia Regional de Lagarto (Centro-Sul) confirmou ontem a prisão de três envolvidos com a morte do adolescente Alef Oliveira dos Passos, 17 anos, assassinado em 20 de fevereiro deste ano na rodovia SE-270, junto à ponte que liga Lagarto a Riachão do Dantas. O crime chamou a atenção pela extrema violência usada pelos assassinos, os quais mataram o rapaz no meio da estrada, com cerca de 20 tiros. Segundo as investigações, o crime foi planejado e executado por Genigleidson Carvalho Pereira, o "Guebinho", que foi preso nesta quarta-feira em Salvador (BA), em uma ação conjunta com policiais dos núcleos de inteligência de Sergipe e da Bahia.

Além de "Guebinho", outras quatro pessoas envolvidas com o crime foram identificadas. Duas delas, Adriana Vitória Lima Silva e Fábio Santos Silva (o "Fabinho"), também foram presos, no começo da semana, em Lagarto. Os outros dois, José Leandro dos Santos Almeida (o "Xexéuzinho") e João Paulo Santos Barreto (o "Galego"), ainda estão foragidos. A prisão preventiva de todos os acusados já foi decretada pela Vara Criminal de Lagarto, com base nas provas levantadas pela Polícia Civil e juntadas no inquérito do crime, praticamente concluído. De acordo com o delegado Tarcisio Tenório, responsável pelo caso, o crime foi motivado por desavenças ligadas ao tráfico de drogas.
"’Guebinho’ era cunhado do adolescente e tinha um relacionamento com a irmã dele, também adolescente. A princípio, as investigações nos mostraram que ‘Guebinho’ já tinha envolvimento com o tráfico de drogas e costuma participar de negociações escusas. E que a vítima também estaria envolvida com estes crimes, ou seja, seria um possível ‘recruta’ do tráfico de drogas. Em função de o adolescente ter tomado alguma atitude que desagradou os envolvidos, ou por ter contraído alguma dívida de droga, ele foi executado", relatou Tarcísio, frisando que a real motivação do crime ainda será apurada mais a fundo pela polícia.

Ainda segundo o delegado, Genigleidson e o foragido ‘Galego’ teriam tentado matar Alef outra vez, em 21 de janeiro, mas ele conseguiu escapar do atentado e teria sido convencido por ‘Guebinho’ a não prestar queixa do ataque à polícia. Na noite do crime, o adolescente recebeu uma ligação e foi chamado para se encontrar com uma pessoa na ponte do Rio Jacaré. E durante esta espera, ele foi assassinado.

"A Adriana Vitória levou a vítima ao local do crime e o ‘Fabinho’ foi junto, em um Gol branco pertencente a ‘Guebinho’. E conseguimos identificar ainda o ‘Galego’ e o ‘Xexéuzinho’, que também participaram do crime", relatou ele, acrescentando que Alef foi atacado de surpresa pelos matadores, que estavam armados com pistolas. Algumas cápsulas de pistola calibre 380 foram recolhidas junto ao corpo e o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que o corpo do rapaz tinha cerca de 20 marcas de tiros. "O jovem foi alvejado com inúmeros disparos de arma de fogo. Tomou tiros pelas costas, há fraturas nos membros em função dos disparos… ele foi executado fria e cruelmente", afirma Tenório.

Algumas pistas consideradas decisivas foram colhidas pela polícia poucas horas depois do crime, na própria estrada. O delegado Tarcísio conta que estava de plantão naquela noite e conseguiu conversar com parentes do adolescente morto. "Ainda no calor dos fatos, a mãe do rapaz nos mostrou as ligações que a vítima havia recebido em seu celular para ser levada ao local do crime. A partir daí, conseguimos identificar o telefone de Genigleidson, o telefone de Adriana Vitória, outros números dos possíveis participantes… e a partir destas provas colhidas durante as oitivas, concluímos que são eles os autores do crime", disse ele.

Além dos telefones, foram recolhidas imagens de câmeras de monitoramento situadas ao logo da rodovia, as quais mostram um VW Gol pertencente a ‘Guebinho’ e um Hyundai Tucson conduzido por Adriana, passando pelo local do crime. Ontem, ao serem apresentados, cada um dos presos negou sua participação no assassinato de Alef e atribuem a responsabilidade aos outros acusados. No entanto, todos foram indiciados pelos crimes de formação de quadrilha armada e homicídio qualificado, entre outros.

Compartilhe esta notícia