Milton Alves Júnior
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Sem entrar em acordo com a Prefeitura de Aracaju e dispostos a permanecer resistindo por melhores condições de trabalho, mais de 100 ambulantes desrespeitaram a ordem judicial em migrar para o pavimento superior do Mercado Albano Franco e atualmente ocupam trechos da Rua 7 de Setembro e intermediações do Terminal Rodoviário do Centro. Ainda pressionados pela Guarda Municipal, com o apoio de fiscais da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), os trabalhadores aguardam que o prefeito João Alves Filho atenda suas reivindicações
Segundo suposições apresentadas pela direção da Associação dos Vendedores Ambulantes de Aracaju, equipes da guarda estariam recolhendo parte dos produtos dos ambulantes e levando para um depósito da prefeitura, onde, posteriormente, seriam realizadas doações. Esses produtos supostamente estariam sem nota fiscal, enquadrando-se assim em sonegação de impostos. Com exclusividade ao Jornal do Dia, Antonio Marcos Vieira Cruz, representante da categoria nestes movimentos, alegou que irregularidades éticas têm sido realizadas constantemente após o primeiro ato realizado na quinta-feira da semana passada.
O denunciante critica a postura adotada pelo comandante da GMA, coronel Enilson Aragão. "As mercadorias têm sido levadas pelos guardas que já chegam com ignorância, sem nenhum interesse em conversar com os trabalhadores que estão aqui em busca de dinheiro limpo para sustentar a família. Alguns vereadores têm ajudado aos ambulantes e esperamos que boas novidades sejam apresentadas logo, imediatamente, porque se continuar assim a luta dos ambulantes nas ruas vai permanecer", declarou. Segundo a associação, a possibilidade de ocupar o mercado Albano Franco é considerada mínima por todos os vendedores. Em contrapartida todos apontam a popular Passarela das Flores, que liga os mercados Tales Ferraz e Hilton Lopes, como o melhor local para instalação das barracas.
Questionado sobre a possibilidade de novas mobilizações a serem promovidas no Centro, Marcos Cruz disse estar esperando ansiosamente por uma resposta do prefeito. Caso esse retorno administrativo não seja apresentado, a perspectiva é que já na próxima quarta-feira, 06, um novo ato volte a parar o centro comercial. "Em hipótese alguma iremos continuar aceitando essa retirada de mercadorias nossas e essa pressão irresponsável da Guarda Municipal. Queremos ficar próximo à passarela das flores porque acreditamos que aquele local pode ser menos pior para as nossas vendas. Se até terça João Alves não se pronunciar, sem dúvidas voltaremos com as manifestações", pontuou o presidente.
Ocupação – Ainda de forma tímida, porém crescente, a quantidade de ambulantes no cruzamento das ruas Florentino Menezes e José do Prado Franco tem demonstrado o interesse de os vendedores permanecerem naquela área. Segundo Yuri Macedo, revendedor de frutas, a única forma viável em conquistar o desejo dos ambulantes é continuar resistindo, mesmo diante das denúncias de desvios de mercadoria e opressão da GMA. "Se não for assim, será como? Não iremos lá pra cima do mercado, então o jeito é continuar aqui mesmo. Eles tiram a gente e depois nós voltamos. A situação é difícil porque o prefeito não está do nosso lado, mas a força do trabalhador é mais forte e já estou tentando guardar a minha vaga", disse. Pela direção da associação não foi informado o local e horário da próxima mobilização.


