Ampliação da frota de táxi tem discussão ampliada

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Grupos opostos formados por taxistas bandeirinhas e clandestinos se reuniram na manhã de ontem para debater a possibilidade de ampliar, ou não, o número de motoristas credenciados pela Prefeitura de Aracaju para realizar este tipo de transporte público. Aglomerados em frente à Câmara Municipal de Aracaju (CMA), os taxistas voltaram a apresentar seus pleitos e tentar dialogar com os vereadores. Em situações diferentes, os clandestinos exigem ampliação do número de taxistas credenciados; em contrapartida os bandeirinhas alegam que o número atual já é suficiente para a demanda de clientes e enaltecem que a prefeitura respeita o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Os credenciados pedem que fiscalizações mais ostensivas sejam promovidas.

Em meio a este fogo cruzado, a direção da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) garante que no momento não pode conceder alvarás de funcionamento para nenhum novo taxista por já ter alcançado a cota proporcional. As abordagens operacionais, por sua vez, têm sido ampliadas nas saídas da capital sergipana a fim de impossibilitar o trabalho clandestino dos taxistas. Diante desta polêmica, o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e atualmente superintendente da SMTT, Nelson Felipe, declarou que não possui perspectivas para atender ao pleito das associações formadas por taxistas clandestinos. Baseando-se nas leis nacionais e municipais, ele informou que apenas os vereadores, diante do poder legislativo municipal, é que podem mudar a atual situação.

"Não posso e nem tenho o poder para atender nesse momento a reivindicação dos taxistas clandestinos que nos solicitam a criação de novas permissões de funcionamento. Entendemos a força de vontade para trabalhar e atender a população, mas estamos atuando conforme as determinações constitucionais. Nesse caso, o melhor a ser feito é buscar os vereadores para discutir estes assuntos", afirmou.
Para a manhã de ontem estava previsto uma mobilização com média de mil carros divididos em bandeirinhas e clandestinos. Por entender que o momento ainda é de possíveis diálogos progressistas, nenhuma das bases taxistas decidiu por em prática a grande carreata.

Sobre as fiscalizações, Nelson Felipe as avaliou como necessárias. "Elas são fundamentais para evitar que as leis não sejam respeitadas por motoristas de carros com a placa cinza. Alguns desses clandestinos residem no município da Barra dos Coqueiros e por isso nossas abordagens táticas ocorrem com maior frequência nas intermediações da ponte Aracaju-Barra. Poder trazer passageiros de lá pra cá é possível, mas rodar em Aracaju e voltar para a Barra dos Coqueiros é irregular. Por isso estamos ampliando as vistorias até que, quem sabe, os vereadores consigam mudar as leis", disse o superintendente.

Ao se deparar com os grupos de taxistas logo no início da manhã o vereador Emmanuel Nascimento (PT) declarou que não vai votar a favor no possível projeto de ampliação do número de bandeirinhas. Ele atribuiu o problema geral à atual administração da prefeitura. "Nunca votei contra os taxistas e não vai ser agora que irei votar. Acho que o número atual é realmente suficiente para atender os aracajuanos e por isso não votarei a favor do aumento. Porém, é preciso estudar alternativas para os clientes que residem em bairros localizados na Zona de Expansão. A partir de determinado horário da noite raros são os taxistas que decidem atender a chamada. Infelizmente isso ocorre porque a Prefeitura de Aracaju possui um sistema de transporte público defasado", analisou.

Ameaças – Por ser taxista, o vereador Adriano Oliveira (PSDB) tem sido pressionado por ambos os lados. Em meio a estas pressões trabalhistas, mensagens e ligações com ameaça de morte têm apavorado o parlamentar que esta semana, como forma de prevenção, decidiu solicitar à Secretaria de Segurança Pública (SSP), um agente da Polícia Militar ou Polícia Civil para acompanhá-lo. No pedido feito ao secretário Mendonça Prado, o vereador também solicitou o empréstimo de um colete a prova de balas. Até o final do expediente de ontem não estava programado nenhum diálogo junto às associações e sindicatos de taxistas a ser realizado no pleno da casa legislativa.

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