Movimentos sociais protestam em Aracaju

Milton AlvesJúnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

O Dia Nacional de Mo
    bilizações em Sergipe
    foi marcado por protestos organizados entre centrais sindicais e grêmios estudantis que são contrários a projetos de leis que tramitam no Congresso Nacional e insatisfazem o povo brasileiro. O alvo principal das centenas de manifestantes que foram às ruas no dia de ontem é o PL 4330, popularmente conhecido como ‘projeto da terceirização’, o qual permite às empresas terceirizarem até suas atividades-fim, aquelas que estão no centro da atuação das companhias. Com a aprovação deste projeto, mudam-se também as regras para a concessão do auxílio-doença e pensão por morte. Outra pauta criticada trata-se da Medida Provisória 665, que dificulta o acesso ao abono salarial e ao seguro-desemprego.
Logo nas primeiras horas de ontem a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil em Sergipe (CTB) em parceria com representantes da União Geral dos Trabalhadores (UGT) se reuniram no Calçadão da rua João Pessoa, centro de Aracaju, a fim de expor o motivo dos atos programados para a última sexta-feira de maio, além de tentar convencer os pedestres a se integrarem ao movimento. Durante o ato o grupo protestou também contra os deputados federais, em especial, os sergipanos que votaram a favor da aprovação do projeto que desde o início do último mês de fevereiro já vinha sendo contestado pela classe trabalhadora. Ao todo, cerca de 120 pessoas se mobilizaram na área comercial.
Não encontrando alternativa para barrar o projeto, a não ser pressionar os senadores e a presidente Dilma Rousseff, Edival Goes, presidente da CTB, garante que os atos na capital sergipana devem permanecer até o momento em que o projeto for arquivado, ou vetado pela chefe do executivo nacional. O sindicalista destaca ainda a necessidade de os senadores Antônio Carlos Valadares (PSB), Maria do Carmo Alves (DEM), e Eduardo Amorim (PSC) buscarem abrir diálogos com os trabalhadores a fim de ter conhecimento do alto índice de rejeição deste projeto de lei que tem como autor o deputado federal pelo Partido Liberal do Estado de Goiás, Sandro Mabel.
"Se não houve apoio de todos os nossos deputados federais, esperamos que os nossos três senadores possam mostrar que estão do lado do povo. Infelizmente foi uma decepção saber que este projeto ainda foi a votação e passou. Espero que no Senado Federal o resultado seja outro. Esse PL representa um perigo para todos os trabalhadores do país", destacou Edival. De forma paralela ao ato coordenado pela CTB e sindicatos associados, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), com o apoio de representantes do Movimento Organizado dos Trabalhadores Urbanos (Motu), Movimento Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Têxtil, de Confecções e Calçados (Sindtêxtil), também se mobilizaram na Grande Aracaju.

Interdição – Por volta das 8h30 líderes da CUT autorizaram o inicio do ato público. Cerca de 700 pessoas dirigiram-se para a ponte sobre o Rio do Sal na entrada do Conjunto João Alves, no município de Nossa Senhora do Socorro, e inviabilizaram o fluxo de veículos em ambos os sentidos por quase uma hora. Os sindicalistas receberam o apoio de parte da população que se juntou ao movimento. Na avaliação de Rubens Marques, presidente da CUT, os deputados Laércio Oliveira (PR), André Moura (PSC), Fábio Mitidieri (PSD), Adelson Barreto (PTB) e Fábio Reis (PMDB) possuem uma dívida muito grande com o trabalhador sergipano que depositou um voto de confiança nas últimas eleições.

"Estamos vivenciando um verdadeiro absurdo contra benefícios conquistados pelo trabalhador brasileiro depois de anos de luta. É preciso manter a pressão para que esse projeto nem chegue na mesa da presidente Dilma que já disse ser contra o projeto. Infelizmente esses deputados deram as costas para nós trabalhadores. Eles nos envergonham", avaliou.

Segundo análise da União Geral dos Trabalhadores (UGT), a possibilidade de terceirização ainda pode ser revertida, mas para isso é preciso que as categorias permaneçam aquecendo as manifestações de ruas por todo o país. Em Sergipe a CUT não descartou a possibilidade de deflagrar uma greve geral e por tempo indeterminado. Para isso, Rubens Marques enaltece a união dos trabalhadores.
"Não podemos deixar que o direito trabalhista morra depois de tantas lutas e por interesses administrativos de parlamentares que não estão interessados em colaborar com o pleito dos trabalhadores. É um verdadeiro absurdo a forma como os deputados estão tratando o brasileiro. Esperamos que no senado a situação seja oposta", pontuou o presidente.

Na tarde de ontem atos públicos voltaram a ser realizados no Centro de Aracaju, desta vez com o apoio, também, de professores da rede estadual de ensino e docentes da Universidade Federal de Sergipe que estão em greve. Os senadores continuam se reunindo para debater a PL 4330. Até o momento não há previsão de quando o projeto será votado no plenário do Senado.

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