Gabriel Damásio
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A polícia sergipana quer esclarecer mais de 50 crimes praticados pelas duas quadrilhas que disputavam o controle do tráfico de drogas no bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). Esta é a expectativa alimentada pelo resultado da "Operação Concórdia", deflagrada anteontem pelas polícias Civil e Militar após quatro meses de investigação conjunta. Ontem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) apresentou grande parte dos 28 presos durante a operação, além de revelar detalhes sobre como os grupos integrados por eles agiam, principalmente nos ramos do tráfico de drogas, dos assaltos à mão armada, roubos de carros e assassinatos.
Tal estimativa dos crimes na região foi dada pelo delegado-geral da Polícia Civil, Everton Santos, ao apontar que boa parte deles já possui a autoria definida, pois era acompanhada de perto pela polícia. "Em alguns deles, não precisa nem fazer pergunta ou confessar. O veículo que estava enterrado, o corpo que foi encontrado, tudo isso já foi monitorado pela inteligência da polícia, sabíamos de tudo. Eu até dizia pras equipes do COE [Comando de Operações Especiais] e do Choque [Batalhão de Polícia de Choque] que iam pra lá: ‘Faça essa operação aí e saia, porque a próxima vai ser bem maior, pra gente pegar os chefes’", lembra Everton.
Equipes de inteligência da Civil e da PM identificaram vários pontos de venda de drogas que eram ocupados e disputados pelas duas facções que dividiam o bairro. Segundo o delegado Fábio Pereira, da Coordenadoria de Polícia da Capital (Copcal), uma era baseada no Conjunto Padre Pedro e liderada por Wellingthon Antônio da Silva, o ‘Pelé’, preso em dezembro de 2012 pelo Departamento de Narcóticos (Denarc), por causa da apreensão de 344 quilos de droga achados dois meses antes em São Cristóvão (Grande Aracaju). A outra tinha como base o Conjunto Valadares e seu líder era Adriano Santos Gonzaga, o ‘Mago’, acusado por outras 20 mortes e foragido desde novembro de 2014, quando escapou da carceragem do Complexo de Operações Policiais Especiais (Cope), no Capucho (zona oeste).
"Antes, haviam três grupos agindo na região. Um deles foi debelado logo no início, com seus integrantes presos, e a partir de então, esses dois grupos passaram a disputar o poder na região. Um tentava tomar o espaço do outro. Eles impunham o terror, vinham no medo, na força, e tomavam as localidades para implementar o tráfico de drogas. Um grande número de execuções já vinha ocorrendo na área e nós constatamos isso durante o tempo de investigação. Estamos coletando ainda quantos homicídios foram, mas acredito que 80% dos homicídios que aconteciam no Santa Maria eram em virtude da ligação com os dois bandos", explicou Pereira.
Além dos crimes, resta ainda a prisão de ‘Mago’ e outros quatro foragidos. A promessa da SSP é manter e intensificar o policiamento na região, aumentando a presença da PM no Santa Maria e outras comunidades afetadas pelas quadrilhas. "O comando do batalhão da área [1º BPM] tem conhecimento muito grande da região e também tem o apoio muito grande do Batalhão de Choque, cujos núcleos de inteligência ficaram ficados em levantar informações. Vamos continuar fortes nesses locais e pedimos o apoio da população e da imprensa para usar e divulgar o Disque-Denúncia, que é 181. A população deve denunciar, sem se identificar, para termos mais tranquilidade", pediu o comandante-geral da PM, coronel Maurício Iunes. Ao todo, cerca de 200 PMs de seis batalhões trabalharam nas ações da ‘Concórdia’.
Homicídios – Uma das mortes a ser esclarecida é a de um adolescente, filho de um sargento da Polícia Militar, que estava desaparecido há cerca de duas semanas. Uma ossada encontrada durante buscas no Morro da Reação, no 18 do Forte (zona norte), pode ser a da vítima e foi indicada por um adolescente de 17 anos apreendido durante a operação, em Capela (Agreste). "Todas as informações levam a crer que [a ossada] é mesmo o filho do policial. O adolescente, em suas declarações, informa que apenas estava no local no momento em que houve a ocultação do cadáver. Ele disse que não participou do homicídio, mas sabia o local onde o adolescente foi parcialmente enterrado", esclarece o delegado Jonathas Evangelista, do Cope. O Instituto Médico-Legal (IML) ainda fará a identificação dos restos mortais.
Além de ‘Mago’ e de ‘Pelé’, o qual, segundo a polícia, comandava o seu grupo mesmo dentro da cadeia, foram identificados outros dois co-líderes das quadrilhas. No do Valadares, ele era José Carlos Lima dos Santos, o ‘Morrendo’, um dos mais violentos assaltantes da Grande Aracaju e também foragido do Cope, que morreu em tiroteio com soldados do COE na Prainha do Santa Maria. Já no do Padre Pedro, este auxiliar era Anderson Neres Santos, o ‘Satanás’, que ficou 11 anos na prisão e confessou vários homicídios ao ser detido anteontem. "O ‘Satanás’ me disse que tinha homicídios de quem ele nem sabia o nome da vítima, só identificava que era do conjunto oposto. Ele indicava o dia e o horário em que fez a morte, mas não sabia nem de quem se tratava", revelou Fábio Pereira.
OS PRESOS DA "OPERAÇÃO CONCÓRDIA"
– Agnaldo Dantas Filho (sargento da Polícia Militar)
– Anderson Neres Santos (Satanás ou Neguinho Anderson)
– André da Conceição (Galego ou Cigano)
– Charles Vieira dos Santos
– Cristiano dos Santos (Ginga)
– Daniel Clever dos Santos Ferreira
– Denilson dos Santos (Pescoço)
– Erisles Vieira da Silva (Lelê)
– Emerson Henrique da Costa Santos (Nego da Amendoeira)
– Evaldo dos Santos Júnior
– Fábio Rodrigues da Silva (Fabinho ou Mago)
– Gilberto dos Santos Nascimento (Baixinho)
– Helder de Oliveira Barbosa (Morcego)
– Joan Carlos Silva Santos
– Jonatas Guilherme dos Santos (Kelo)
– José Clebison Vieira dos Santos (Clevinho ou Binho)
– José Gileiuson de Jesus Santos
– Josonias Silva
– Lindolécio da Conceição (Pardal)
– Lucas Souza Bispo dos Santos
– Márcio Faustino da Silva (Marcinho ou Márcio Louco)
– Wellingthon Antônio da Silva (Pelé)
– Tiago Santana Batista
– Carla Isly Moura Santos
– Larissa Sílvia Porfírio
– Maria Lucila dos Santos Neta
– Rita de Cássia da Silva (Galega)
Fonte: SSP


