Gabriel Damásio
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Wellington dos Santos, o ‘Leko’, 32 anos, confessou o assassinato da própria prima, a menina Maria Luciele Matias Correia, seis anos, cujo corpo foi encontrado no Rio São Francisco, em Brejo Grande (Baixo São Francisco). Ele admitiu o crime na noite de desta sexta-feira, após ser preso em casa por policiais civis e militares lotados na cidade. Em um vídeo gravado dentro da delegacia e divulgado nas redes sociais, o acusado contou que asfixiou a prima até que ela morresse, mas alega que fora forçado a fazer isso por três homens encapuzados que teriam o abordado com a garota no meio de uma estrada. A polícia não se convence desta versão e suspeita ainda que ‘Leko’, antes de matá-la, teria abusado sexualmente dela. A confissão revoltou a população de Brejo, que tentou invadir a delegacia e linchar o preso, forçando a polícia a transferi-lo para a cidade vizinha de Neópolis.
O crime começou a ser desvendado durante a tarde, poucas horas depois de um pescador ter encontrado o corpo de Luciele, sem as roupas e amarrado a uma pedra atirada no fundo do rio. Segundo informações, uma pessoa procurou a Delegacia de Brejo Grande e denunciou que três garotos teriam visto Wellington andando com Luciele perto do local do crime, no último domingo, dia em que ela desapareceu. Depois que o corpo foi achado, a testemunha viu os meninos nervosos e conversando entre si sobre o sumiço da menina, em um momento que toda a cidade procurava por ela. Depois de uma conversa tensa com a testemunha e com os pais, os garotos contaram tudo e disseram que não avisaram à família antes porque se sentiam ameaçados pelo acusado.
"As três crianças foram pegar manga, e ao chegarem perto do local onde ele estava com a criança, ele viu as crianças e jogou uma pedra gritando: ‘Bora! Sai daqui, porra!’, e botou elas pra correr. A menina já estava morta neste momento. Eles correram e ficaram escondidos em cima de uma árvore. Aí, foi o momento em que ele passou todo molhado embaixo da árvore. Eles viram, mas não tiveram coragem de ir lá pra ver. Quando descobriram, eles contaram tudo pros pais, a história foi se espalhando e chegou na polícia", disse um policial que participou da investigação, em gravação divulgada pelo WhatsApp.
De acordo com o relato apurado, Luciele brincava na rua com outras crianças e passou na frente de um bar onde ‘Leko’ bebia e jogava sinuca. A vítima foi chamada pelo acusado e ganhou R$ 5,00 para comprar bombinhas juninas. Depois de passar em casa e avisar à mãe que iria a um mercadinho da vizinhança, a criança saiu, sem revelar quem lhe dera o dinheiro. Quando a menina começou a brincar com as bombas, Wellington voltou a chamar Luciele para soltar as bombas em outro lugar. Segundo policiais que acompanharam o caso, o acusado agarrou a menina, abusou sexualmente dela e matou-a sufocada. Em seguida, ele amarrou o corpo a uma mangueira e depois a uma pedra que depois foi jogada no rio.
Já no vídeo gravado após sua prisão, o próprio ‘Leko’ disse que estava pedindo à menina que voltasse para casa, porque "senão pode acontecer alguma coisa". Segundo a versão, o suposto trio encapuzado apareceu armado, disparou um tiro e ordenou que o acusado matasse a garota. "Rapaz, eles fizeram eu matar a menina a pulso (sic), sufocada. Fui forçado a isso, porque se eu não fizesse, eles iam me matar. Não queria fazer isso", disse ‘Leko’. No entanto, ao ser perguntado se ele estuprou a prima, a resposta foi contraditória e surpreendente: "Eu ia fazer aquilo, mas não cheguei até fazer não, sabe? Fiz com o dedo, mas quando vi que ia sangrar, eu parei".
A notícia da ida dos policiais até ‘Leko’ chegou rápido ao conhecimento dos moradores, que primeiro cercaram a casa do acusado e tentaram linchá-lo. Os policiais conseguiram levá-lo rapidamente à delegacia de Brejo, mas decidiram transferi-lo novamente quando a multidão foi para a porta do prédio. A saída do preso foi feita pelos fundos e com a segurança reforçada. Wellington foi interrogado na Delegacia de Neópolis e depois transferido para a Delegacia Regional de Propriá, onde a polícia o autuou em flagrante. O corpo da menina Luciele foi enterrado na noite de sexta, sob a comoção de centenas de pessoas que compareceram ao cemitério e se manifestaram, pedindo justiça.


