Milton Alves Júnior
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Depois de 30 dias em greve, professores da rede estadual de ensino votaram pelo fim da paralisação que afastou mais de 170 mil estudantes das salas de aula. A decisão foi aprovada por 80% dos docentes que participaram de mais uma assembleia extraordinária realizada na manhã de ontem nas intermediações do Palácio Governador Augusto Franco, em Aracaju. Coincidentemente, ou não, a categoria decidiu retomar as atividades educacionais após perder na justiça o direito de seguir a mobilização de forma legal. Essa foi a segunda derrota jurídica em menos de um mês. Paralelo ao decreto de inconstitucionalidade dos atos, os professores também acumulavam uma multa de R$ 280 mil, resultante de uma liminar ajuizada no último dia 22 de maio pelo desembargador José dos Anjos.
Encerrada a assembleia, os professores invadiram parte da avenida Adélia Franco e seguiram em marcha até a sede da Secretaria de Estado da Educação (Seed), onde promoveram mais uma manifestação contra o governador Jackson Barreto e o secretário Jorge Carvalho do Nascimento. Em meio às críticas articuladas pela direção do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese) foi informado que a classe trabalhadora deve retornar às escolas apenas na próxima segunda-feira, 22, quando deve-se iniciar uma nova etapa estratégica. Conforme planejamento sindical, essa atitude visa debater com o Governo do Estado as maneiras mais adequadas para atender as reivindicações dos educadores sem a necessidade de novas interrupções no serviço público.
Sem sucesso no pleito, a greve dos professores retardou em um mês o desenvolvimento cultural e educacional de milhares de jovens sergipanos que estão a menos de quatro meses para enfrentar dois dias de avaliações no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Os docentes cobravam do governo um reajuste de 13,01% para todos os níveis de carreira, imediata melhoria nas unidades escolares, contratação de novos professores, além de ampliação da segurança em todas as instituições. Visivelmente incomodada com o julgamento popular, na qual sergipanos avaliam a mobilização como ‘fracassada’ e ‘prejudicial’ para os cofres do Sintese, a presidente Ângela Melo garante que a luta da categoria vai continuar.
A sindicalista ainda enalteceu a realização de novos atos já a partir do próximo mês. "As negociações continuam e os professores saem daqui com o respeito e a dignidade dos seus estudantes e da sociedade, mas com o compromisso da luta sempre. Teremos um período longo pela frente com atos públicos caso o governador continue sem querer respeitar os nossos direitos. Os professores saem dessa greve ainda mais unidos", destacou Ângela. Questionada sobre os dias perdidos de aula e o corte de ponto, a líder disse não ter discutido com gestores da Seed, nem com a cúpula do Sintese como serão realizadas as reposições necessárias para fechar o cronograma letivo. Ao todo, cerca de 12 mil profissionais da educação pública aderiram a greve.
Segundo avaliação do assessor de imprensa da SEED, Elton Coelho, a presença do professor dentro da sala de aula ministrando conteúdos abre caminhos para um entendimento coletivo. "Agora sim acreditamos que vamos conseguir conversar com cordialidade junto aos professores. Com o retorno dos estudantes às escolas, o Governo de Sergipe abre ainda mais as portas para trabalhar em parceria dos servidores da educação pelo progresso dos nossos alunos", disse. Sobre o calendário de reposição das aulas o comunicador concluiu dizendo: "Esperamos que os diretores das instituições estaduais de ensino possam debater esse assunto com certa brevidade para não atrasar ainda mais o repasse do conteúdo educacional. O fim da greve foi avaliado pela Seed como um ato sábio por parte dos professores".


