Violência em escola gera protesto de alunos

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Estudantes da Escola Estadual Senador José Alves do Nascimento realizaram na tarde de ontem um ato público em frente à unidade educacional com o propósito de chamar a atenção do Governo do Estado, através da Secretaria de Estado da Educação (Seed), para a falta de segurança no local. Desta vez, uma atitude violenta adotada por uma mãe de estudante contra a diretora da escola contribuiu para a mobilização dos alunos. Após inviabilizar o acesso de uma adolescente por estar sem o devido uniforme, Nádia Adriane Ferreira foi agredida verbalmente pela responsável da aluna barrada. No auge da fúria, a acusada teria tentado agredir fisicamente a pedagoga, mas foi contida por outros alunos que presenciaram a ocorrência.

Situada no bairro Coqueiral, em Aracaju, a escola não possui procedência grave no quesito violência, porém, conforme alegado pelos próprios estudantes que frequentam o espaço, é preciso que a direção da Seed juntamente com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) possam atender o pedido de ajuda e assim evitar que tragédias venham a acontecer na unidade. Sem acesso à quadra de esportes, a aluna Tainá Silva, vice-presidente do grêmio estudantil, diz que todas as aulas da disciplina de Educação Física foram suspensas devido a uma constante presença de meliantes na antiga área de lazer. Por Tainá foi confirmado que estes invasores acabam tendo acesso à unidade por muros laterais e, devido à ausência de vigias, eles permanecem no local sem se preocupar com repressões.

"Os malandros entram na escola pulando o muro e ninguém tem coragem de ir lá expulsar. A gente não tem aula na quadra porque todo mundo aqui tem medo de ser roubado ou agredido. Se ao menos tivesse uma ronda da Polícia Militar, ou vigias fossem contratados para evitar essa invasão, certamente não estaríamos aqui na rua protestando. Precisamos de policiamento", disse. Liderando a manifestação, a jovem destacou ainda a ausência de professores considerados essenciais para a qualificação educacional dos estudantes, em especial, aqueles que se preparam para enfrentar dois dias de prova no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Segundo Tainá Silva, entre estes professores em falta há mais de dois meses estariam os das disciplinas de Física e Química. "Essa situação com a diretora foi apenas o cúmulo do absurdo que poderíamos presenciar. Foi a partir dessa situação lamentável que decidimos organizar esse manifesto, mas isso não é só um caso preocupante; estamos a menos de três meses do Enem e ainda estamos sem professores. Aqui não tem ventilador, não tem merenda decente, não tem segurança, não temos nada. É desse jeito que vamos melhorar a educação pública?", indagou a aluna.
Sem nenhuma resposta positiva já na tarde de ontem, os alunos garantiram que pretendem continuar com a mobilização até que os pedidos de melhoria sejam devidamente atendidos. Paralelo aos conflitos com o governo, os manifestantes também aproveitaram o ato público para criticar a postura agressiva adotada pela mãe de uma estudante.

Apoio – Presente na mobilização, o professor Márcio Martins também conversou com a equipe do JD e parabenizou a iniciativa dos alunos.. "Estamos precisando é de melhores condições de trabalho. Vocês percebem que a indignação não é apenas dos professores, mas também dos alunos que querem um futuro melhor. O piso salarial é preciso, mas melhorias em tudo é fundamental para que a educação pública possa dar melhor oportunidade de futuro para nossas crianças e adolescentes", destacou.
A Seed informou que a violência vivenciada pela diretora foi avaliada como uma situação isolada, uma vez que em Sergipe houve significativa redução de 30% dos casos de violência nas escolas. Sobre o pleito dos estudantes, a secretaria aguarda um comunicado oficial por parte da própria escola para em seguida adotar as medidas necessárias para cessar os problemas.

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