Viciada em crack mata homem e se entrega à polícia para largar drogas

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Um pedido de socor-ro para se livrar do vício do crack. Este foi o motivo alegado para um assassinato ocorrido por volta das 3h de ontem na Rua 30 do bairro Santa Maria (zona sul de Aracaju). A atitude questionável e desesperada foi tomada pela pernambucana Raquel Cristina da Silva, 31 anos, que, na mesma madrugada, caminhou até o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp) do bairro e confessou ter matado o senhor Renilson Vitório da Conceição, o "Caju", 50, com várias facadas pelo corpo. Ela mesmo admite que queria voltar para o Presídio Feminino de Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), onde ficou 11 meses presa por roubo.

"Em matei sim, porque não aguentava mais me drogar, usar crack. Foi a única maneira que eu achei de parar: matar uma pessoa e voltar pro presídio. É lá onde eu consigo não me drogar", disse, em entrevistas exibidas ontem na televisão. Mãe de cinco filhos e morando em Aracaju há sete anos, a acusada contou à polícia que mora na rua e sobrevive como garota de programa há pelo menos um ano, desde que saiu do Prefem. Disse também que é usuária de crack há algum tempo e ficou ‘limpa’, isto é, sem usar a droga, durante todo o tempo em que ficou detida, mas teve uma recaída 15 dias depois de sair da cadeia.

A acusada confirma ainda que, na madrugada de ontem, saiu pelas ruas decidida a cometer o homicídio e sem escolher uma vítima específica. "Era com qualquer pessoa que eu encontrasse na frente, e naquela hora, foi ele que apareceu", relata a acusada, referindo-se a Renilson. Ele é citado pela polícia como um cliente de Raquel, com quem teria combinado um programa na noite do crime. A pernambucana, no entanto, declara que conhecia Renilson há mais tempo e chegou a ser ajudada por ele em vários momentos. "Ele me ajudava. O que eu precisasse e pedisse a ele, ele me dava. Bate um arrependimento, pela pessoa que ela era", lamentou ela.

Segundo o relato da polícia, Raquel foi até a casa de "Caju" e, depois do ato sexual, foi até a cozinha, onde se armou com uma faca peixeira e voltou para o quarto, onde ele dormia sem roupas. A acusada conta que, ao dar o primeiro golpe, o homem se levantou e segurou-a por um dos braços, mas foi derrubado. Então, ela passou a esfaqueá-lo mais vezes e só parou depois que a lâmina da faca quebrou dentro do corpo. Renilson ainda tentou pedir ajuda, mas não resistiu e morreu dentro de casa. Enquanto isso, a ré trancou a porta com um cadeado e andou até o Cisp do Santa Maria,que estava fechado. Ela declara que ficou chamando os policiais e até pensou em procurar por uma viatura, mas um soldado da PM que dava plantão abriu aporta. Então, Raquel disse: "Eu matei um homem e estou aqui para me entregar".  

A pernambucana foi levada para a Delegacia Plantonista e autuada em flagrante por homicídio qualificado. Depois, seguiu para a 11ª Delegacia Metropolitana, na Barra dos Coqueiros (Grande Aracaju). De volta à cadeia, Raquel se diz firme em seu objetivo de se curar do vício do crack e espera ser condenada pela Justiça. "Quanto tempo eu vou pegar por esse homicídio? De 15 a 30 anos. Se eu fosse roubar, ia ficar só nove meses de novo [no presídio] e voltar a usar droga de novo. Acredito que, se em 11 meses eu não me limpei, não é possível que, depois de 15 ou 20 anos dentro de uma cadeia, eu saia e volte a usar droga. Vou pagar pelo que eu fiz e vou seguir no meu objetivo, parar de usar droga", desabafou, com uma surpreendente tranquilidade.

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