Milton Alves Júnior
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Famílias da Ocupação Dandara decidiram dei-xar ontem o cruzamento das ruas São Cristóvão com Capela. Depois de cinco dias de muita conversa com gestores municipais e representantes do setor comercial, as mais de 120 pessoas foram encaminhadas para residências alugadas no valor de 300 reais equivalentes ao auxílio moradia repassado pela Secretaria Municipal de Apoio à Família e Assistência Social (Semfas). Com o apoio de uma caminhonete, uma van e dois caminhões tipo baú, os ex-ocupantes do Hotel Aperipê, localizado no Centro da capital, começaram a dirigir-se para o novo lar. Durante toda a operação, a secretária Selma Mesquita esteve presente para garantir que os acordos financeiros e administrativos procedidos junto à associação de moradores fossem devidamente cumpridos.
Todo o transtorno ocorrido desde o último sábado, 18, foi registrado depois que o proprietário do imóvel – onde nos anos 80 e 90 funcionava o Hotel Aperipê, decidiu entrar com uma ação liminar junto ao Tribunal de Justiça do Estado de Sergipe (TJ/SE), pela reintegração de posse do prédio. No local havia mais de 180 pessoas que, sem condições para adquirir um imóvel particular decidiram invadir o espaço e esperar a contemplação de auxílio moradia ou casas populares entregues pelo poder público. Dados apresentados pela associação mostram que as invasões começaram a ocorrer em massa a partir de maio de 2010, porém, comerciantes que trabalham nas intermediações do antigo hotel declaram que desde 2002 o prédio já vinha sendo povoado por moradores sem teto.
A secretária Selma Mesquita destacou a importância de todas as famílias terem atuado junto com a prefeitura para que os problemas fossem solucionados. Ao Jornal do Dia ela destacou que devido às burocracias administrativas e respeito aos cuidados e leis de responsabilidade fiscal, o diálogo tratou-se de uma missão difícil em busca da solução imediata, mas os resultados foram positivos. Mesquita, que demonstrou obter bom entendimento com as famílias, aproveitou a oportunidade avaliada por ela como feliz, para enaltecer a importância da mídia durante o momento de desocupação.
"Eu venho acompanhando a cobertura jornalística de vocês do Jornal do Dia e fico feliz em saber que hoje vocês estão aqui também. Mostraram a ocupação, a permanência e agora, justamente na hora que estamos desobstruindo o cruzamento. Foi um trabalho difícil porque não podemos efetuar um pagamento com dinheiro público sem comprovar um contrato. Como esse caso é impar, e contamos com o apoio do Ministério Público e do TJ, nos sentimos firmes e à vontade para proceder com o repasse do auxílio e finalizar esse problema que envolveu milhares de pessoas", disse. A operação de remoção das famílias contou também com o apoio tático de agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), e da Guarda Municipal de Aracaju (GMA).
Conforme informado pelo Comando Geral da Polícia Militar, grupos de agentes permanecem locados nas intermediações do antigo hotel a fim de evitar possível reocupação do imóvel, principalmente por parte de famílias oriundas de outros municípios que permanecem desabrigadas e sem o direito ao auxílio. Ainda de acordo com a secretária, é preciso que proprietários de imóveis considerados abandonados estejam atentos para a segurança do patrimônio. "Infelizmente esse tipo de situação acontece porque alguns donos de prédios não cuidam com zelo do próprio patrimônio. Precisamos do apoio desses proprietários para evitar que situações semelhantes não voltem a ocorrer, inclusive por famílias de outros municípios e que por lei não podem receber o auxílio ofertado por Aracaju", pontuou Selma Mesquita.
Finalizada a retirada dos ocupantes, uma equipe da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb) deu início ao serviço de higienização da região. A perspectiva é que o fluxo de veículos já na manhã de hoje esteja regularizado.


