Nova tentativa de fuga na 2ª DM envolve 26 presos

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

A Polícia Civil abortou mais uma tentativa de fuga na 2ª Delegacia Metropolitana (2ª DM), no bairro Getúlio Vargas (zona central de Aracaju) – a segunda em menos de duas semanas. Desta vez, dois buracos que ainda eram escavados pelos presos foram encontrados no chão de duas celas da carceragem, na noite de anteontem, após uma revista feita por policiais do Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb). Um dos buracos, de tamanho muito pequeno, estava na Cela 3, a mesma em que os detentos fizeram outra tentativa de escape descoberta em outra revista do Gerb no último dia 20, quando foi encontrado outro buraco quebrado na parede que dá para um terreno baldio nos fundos da delegacia.

O segundo buraco, por sua vez, estava na Cela 5 e era um pouco maior, com cerca de 30 centímetros de diâmetro e outros 10 de profundidade. Fontes policiais confirmaram ao JORNAL DO DIA que esta tentativa chegou ao conhecimento da polícia no fim da tarde, o que fez os agentes de plantão acionarem o Gerb e fazer a revista detalhada nas celas. Caso os buracos continuassem a ser escavados, eles formariam uma espécie de túnel que também sairia nos fundos do prédio. Isso permitiria que 26 presos fugissem da 2ª DM, já que as duas celas comprometidas têm, respectivamente, 12 e 14 presos cada. Ao todo, a carceragem estava com 70 presos na manhã de ontem, dia seguinte à revista, apesar de ter capacidade para apenas 36 – sendo seis homens por cela.

A suspeita da polícia é de que os presos usam muitos objetos improvisados de várias formas para tentar escapar da cadeia. Entre eles, estava um pedaço da estrutura de ferro usada para trancar as grades. Segundo um agente, este pedaço estava comprometido pela ferrugem e foi entortado pelos presos até ser arrancado. Em outros casos são usados barbeadores, canetas, garfos, alumínios de marmita e até escovas de dente transformadas em estiletes improvisados. A partir daí, os encarcerados enrolavam panos na mão e passavam a abrir o buraco no chão ou na parede, muitas vezes arrancando os vasos sanitários e molhando a terra com a água distribuída para beber e tomar banho.

Depois que a revista terminou, uma série destes objetos improvisados, inclusive como armas, foi apreendida. Em seguida, os presos tiveram que voltar para as mesmas celas após as revistas, pois, segundo policiais que trabalham na delegacia, não há espaço para alojar os presos destas celas nas outras, caso haja necessidade de interdição. "Eles continuam lá dentro, mesmo sem reforma, e não dá pra interditar as celas porque não tem mais espaço. Vou mandar pra onde?", questionou um dos agentes ouvidos pela reportagem, que pediu anonimato. O caso foi relatado à Delegacia-Geral de Polícia Civil e à Secretaria da Segurança Pública (SSP), que ainda decidem o que fazer para contornar o problema.

Socorro – O problema da superlotação se agrava nas delegacias da capital, desde o começo do mês, quando a Vara de Execuções Criminais, dentro de uma ação judicial movida contra o governo estadual, proibiu o ingresso de novos presos no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), principal local onde ficam os presos que ainda não passaram por julgamento. Desde então, os presos se acumulam: a própria Polícia Civil estima que cerca de 500 homens estão detidos em delegacias da capital e outros 100 nas unidades do interior. O problema provoca tensão entre a SSP e a Secretaria Estadual de Justiça (Sejuc), que promete concluir reformas em pelo menos dois presídios para abrir 600 vagas até o final do ano.

Entre os problemas que surgem com o excesso de presos, existem os de saúde. No dia 16, quando os policiais civis fizeram uma paralisação de 48 horas, os detentos da 2ª DM reclamaram que alguns colegas de cela estariam contaminados com tuberculose, pneumonia e outras doenças respiratórias, o que não foi confirmado pela SSP. Já ontem, um chefe de custódia pedia o apoio do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para socorrer um preso que estaria sangrando depois de passar dias com a costela quebrada. A informação passada pelo medico regulador do Samu foi a de que os próprios policiais deveriam levar o preso ao hospital, pois a prioridade seria dada a casos de emergência.

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