Campanha mostra importância da amamentação

Na manhã de ontem dezenas de pessoas se reuniram no Centro de Aracaju com a perspectiva de chamar a atenção da sociedade quanto à importância do apoio e incentivo para que as mães continuem amamentando seus bebês mesmo depois que voltarem a trabalhar diante do fim da licença-maternidade. Por mais de uma hora as mães se reuniram nas intermediações do calçadão da rua João Pessoa e promoveram a terceira edição do ‘A Hora do Mamaço’ enquanto dialogavam com os pedestres e distribuíam panfletos educativos. A atividade que contou com a participação de professores universitários, pediatras e demais profissionais da área de saúde, faz parte de atos alusivos à Semana Mundial do Aleitamento Materno.
Segundo dados apresentados pela pediatra Izailza Matos Dantas, só no ano passado mais de quatro milhões de crianças recém-nascidas morreram no mundo por falta de amamentação adequada. A defensora da causa chama a atenção dos sergipanos para apoiar o movimento e contribuir para a redução do índice de mortalidade infantil. "Os números são assustadores e por isso estamos ampliando essa campanha aqui no Brasil para mostrar ao mundo que nós brasileiros estamos interessados em diminuir esse tipo de situação lamentável. Aqui em Aracaju estamos reunidos pela terceira vez nessa mobilização do ‘mamaço’, e também vamos nos reunir no município de Itabaiana", disse.
Participando da atividade pela primeira vez, a radialista Manu Santiago, mãe de gêmeos, disse ter feito cursos dedicados a mães de primeira viagem e que se mostram preocupadas com a saúde dos filhos. Esta atitude, além de garantir uma melhor qualidade de vida para os recém-nascidos, também fortalece a campanha nacional de amamentação. "São meus primeiros filhos. Mesmo sendo gêmeos, não hesitei em amamentar os dois na mesma hora. Através de um curso para gestante, aprendi como amamentar gêmeos e estou aqui hoje para apoiar essa campanha que é tão importante para todos. Ao saber do evento na manhã de sábado, não hesitei em pensar de vir dar minha colaboração", afirmou.
Pesquisas mostram os grandes benefícios da alimentação. Recentemente, um estudo feito pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP constatou que, dentre outros benefícios do aleitamento, ele também é responsável por menores taxas de diarreia aguda, infecções do trato respiratório, otite média e outras infecções e a menor mortalidade de crianças por essas doenças. Os resultados dessa pesquisa mostraram ainda que crianças que não mamaram tiveram 2,6 vezes mais chances de ter diarreia. Outro estudo realizado pela Universidade de Haifa, em Israel e divulgado recentemente revelou que crianças que receberam leite materno por pelo menos seis meses podem ter um risco menor de desenvolver leucemia na infância em relação àquelas que não foram amamentadas no peito. A leucemia é responsável por cerca de 30% de todos os cânceres infantis.
"A iniciativa é importante para conscientizar que o leite materno é saudável e evita muitas doenças. É a primeira vacina, o primeiro contato entre a mãe e o filho. É uma prova de amor, porque mesmo doendo com as fissuras nos primeiros dias, não deixamos de amamentar. A amamentação foi exclusiva até os seis meses de idade de Emanuel e Samuel. Depois, introduzi novos alimentos, intercalando com a mama até hoje depois de um ano, um mês e 15 dias", pontuou Manu. Até o dia 7 de agosto, várias atividades serão desenvolvidas, com ações educativas, mesas redondas com debates sobre ajudar a mãe que trabalha e amamenta, com a participação de profissionais de diversas áreas.
A programação conta com o apoio da Universidade Tiradentes (Unit), Conselho Regional de Enfermagem de Sergipe (Coren/SE), Associação Brasileira de Enfermagem Seção Sergipe (Aben/SE), blog Conversinha de Mãe e vários outros parceiros e apoiadores da causa da amamentação.

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