Cozinheiros em greve

Com o salário do mês de julho ainda em atraso, profissionais que atuam no departamento de alimentos no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse) e na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes cruzaram os braços na manhã de ontem, em Aracaju, a fim de protestar contra a situação que prejudica mais de 190 trabalhadores. Diante da situação considerada crítica, a direção do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria em Terra e Mar, Restaurantes e Similares de Aracaju (Sindhotre) informou que os atos de paralisação vão permanecer até que os compromissos legais sejam devidamente respeitados por parte do Governo de Sergipe e das empresas terceirizadas. A categoria pede o apoio do Ministério Público Federal (MPF).

Presente no ato, Rogério Tude, que hoje responde pela presidência sindical, destacou que a atual empresa responsável pela administração funcional já contabiliza um déficit financeiro orçado em nove milhões de reais que deveria ser pago pela Fundação Hospitalar de Saúde (FHS). Diante do caos estabelecido nas duas unidades de saúde, empresários já ameaçam romper o contrato. "A empresa já nos garantiu que não está aguentando o impacto, e que vai romper o contrato. Ou seja, a perspectiva é que ela só vai funcionar até sábado e isso está causando prejuízo aos trabalhadores, fora a dor de cabeça e noites mal dormidas que estão sobrando para os funcionários que estão no meio desse fogo cruzado", afirmou.

Ainda de acordo com o presidente, para garantir que todo o serviço público não seja interrompido e prejudique centenas de pacientes atualmente internados, cerca de 30% dos profissionais permaneceram trabalhando na preparação e entrega dos alimentos, assim como prevê a legislação brasileira. "Não seríamos irresponsáveis para dar as costas para aqueles que não têm nenhuma culpa com esse problema que estamos vivenciando, por isso parte da categoria continua dentro das unidades trabalhando normalmente. Somos profissionais que honramos com os nossos direitos, mas hoje decidimos ficar aqui do lado de fora para protestar contra essa falta de respeito com nós trabalhadores", pontuou.

Ao ser informado do ato público, o secretário de Estado da Saúde, José Sobral, convocou e recebeu representantes do Sindhotre a fim de buscar entendimento e minimizar a situação. Após o encontro a direção da SES garantiu que a FHS não fora informada oficialmente sobre as pendências financeiras.

"Recomendamos à fundação que não foi comunicada pelo sindicato sobre o atraso no pagamento dos funcionários terceirizados e, através da manifestação tomamos esse conhecimento, que tome as medidas cautelares necessárias e efetue o seu pagamento na Justiça do Trabalho. Assim, servidores e sindicatos apresentarão o quanto está em atraso e garanta o pagamento. Essa parcela é em torno de R$ 1.200.000,00", informou o secretário José Sobral.

Ainda de acordo com gestor, "a empresa terceirizada aponta que a dívida, que pode efetivamente ser negociada e paga, vem desde o ano passado. A empresa esteve na FHS e disse que dívida do contrato atual mais uma dívida do contrato antigo excediam em quase R$ 2 milhões o valor da parcela mensal. A FHS negociou, disse que paga essa e a parcela restante. A empresa insistiu e disse que se não pagasse integralmente, iriam rescindir o contrato. Não há problema em rescisão contratual. A questão é que ganhou cunho social, sobre a segunda quinzena", disse.

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