Coleta deve ser normalizada

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de um troca de farpas entre o prefei-to João Alves Filho e a direção da Torre, a prefeitura de Aracaju anunciou ontem à noite que a coleta de lixo será normalizada hoje, após três dias de paralisação. A empresa responsável pela coleta de lixo alegava atraso no pagamento das parcelas de dívidas renegociadas pela prefeitura, enquanto o prefeito ameaçava banir a empresa de qualquer serviço no município de Aracaju.

Em meio à troca de farpas, a população aracajuana se mostra impaciente com a reincidência da suspensão de um sistema que já foi destaque nacional como um dos mais adequados do Brasil. Só em 2015, nos primeiros oito meses do ano, quatro suspensões da coleta de lixo foram registradas em Aracaju. Os sucessivos atos públicos e paralisações articuladas pela empresa e pelo Sindicato dos Empregados de Limpeza Pública (Sindilimp), já são superiores aos seis anos de Edvaldo Nogueira como prefeito. Diante desta sequência de críticas populares contra o governo municipal, a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), responsável pela contratação da Torre, é quem começa a ‘tirar o corpo fora’, como bem diz o ditado popular.

Ontem a Assessoria de Comunicação da Emsurb informou que a partir de agora apenas o secretário de comunicação da prefeitura, Carlos Batalha, trataria do assunto junto à imprensa. Mas ele não atendeu às ligações do Jornal do Dia. E enquanto o problema não é solucionado, mais de duas mil toneladas de resíduos domésticos permanecem se aglomerando nas portas de casas, ou em terrenos baldios, e causando desconfortos para os moradores.

Após uma falsa informação, a qual oficializava o fim da suspensão da coleta, ter sido divulgada junto a vários meios de comunicação de Sergipe, na manhã de ontem centenas de trabalhadores voltaram a ocupar a garagem da empresa com o propósito de voltar às ruas para realizar as respectivas funções, mas foram logo impedidos pelos diretores da Torre que aproveitaram a circunstância para promover uma reunião com os garis e margaridas. "Eu vi na televisão que a Torre tinha entrado em acordo com a prefeitura e que hoje a gente deveria voltar a trabalhar, mas quando chegamos aqui fomos mandados embora novamente. Disseram que nada tinha sido resolvido e que a empresa não iria liberar os caminhões", disse Adalberto dos Santos, que trabalha como gari desde 2002.

Na tentativa de minimizar os efeitos da paralisação, a única informação apresentada pela direção da Emsurb referiu-se a um mutirão de limpeza que deve ser promovido neste final de semana nos bairros considerados em estado mais crítico, a exemplo do Siqueira Campos, Centro e conjunto Augusto Franco. Coincidentemente, ou não, três regiões com vasto movimento comercial. Equipes que compõem o programa Cata Bagulho também devem trabalhar em horário integral em alguns bairros de Aracaju. Apesar dos esforços feitos por este grupo de profissionais, as ações emergenciais não conseguem reparar nem 5% do agravante aglomerado de lixo. Estatísticas municipais mostram que diariamente cerca de 800 toneladas de lixo são recolhidas pela Torre.

"Foi uma surpresa para todo mundo chegar aqui na garagem da empresa e termos sido mandado embora mais uma vez. Essa foi a terceira vez que isso aconteceu essa semana aqui em Aracaju. Quero aqui garantir que a classe trabalhadora está totalmente preparada para retornar aos serviços", destacou Rayvanderson Fernandes dos Santos, diretor do Sindilimp. Apesar de mostrar tranquilidade quanto ao momento vivenciado entre a Torre e a Prefeitura de Aracaju, o sindicalista apresentou preocupação com a demanda a ser atendida assim que o serviço for reestabelecido. "O lixo está se acumulando e depois vai sobrar para o trabalhador ter que se esforçar para recolher tudo. Estamos de olho na carga horária e espero que o Ministério Público do Trabalho também esteja", pontuou.

População – Contabilizando hoje quatro dias de interdição funcional, as portas das casas em vários bairros de Aracaju estão superlotadas de sacolas plásticas que, além de provocar falta de higiene, também contribui para a proliferação de ratos, cobras, baratas e escorpiões. Paralelo a estes animais e insetos que causam danos à saúde das pessoas, larvas do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, começam a surgir em maior proporção, em especial, nos bairros das zonas Norte e Expansão. "Não temos onde botar nossas sacolas de lixo. Se na porta já está ruim, deixar dentro de casa é pior ainda. Imaginem vocês eu que trabalho fornecendo quentinhas. O lixo aqui em casa é muito maior e essa falta de coleta tem deixado a gente sem sossego", lamentou a microempresária Salete Dumont.
A perspectiva é que reuniões continuem ocorrendo neste final de semana a fim de solucionar definitivamente a paralisação dos serviços. A Prefeitura de Aracaju não informou quando e onde esses encontros administrativos devem ocorrer.

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