Acusado de matar cabo se entregou por medo

A Polícia Civil apresentou ontem, em entrevista coletiva, o ex-presidiário Cleverton Coelho Santos, 19 anos, acusado pelo assassinato do policial militar Jeová Santos, 47, ocorrido há uma semana no Parque dos Faróis, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Ele se entregou na tarde de anteontem ao Departamento de Homicídios e Proteção a Pessoa (DHPP), acompanhado por um advogado. Segundo o diretor do DHPP, delegado Alessandro Vieira, o acusado se reserva ao direito constitucional de permanecer calado e alegou que fará sua defesa em juízo. No entanto, o delegado ressalta que a dinâmica do crime já está completamente elucidada.

"Trata-se de um homicídio planejado pelos familiares da própria vítima. Ele se apresentou com medo da polícia, pois ainda nesta quinta-feira as equipes do DHPP estiveram em vários endereços vinculados ao suspeito e ele acabou se convencendo que a melhor alternativa era se entregar. Outro fator que pesou em sua decisão é que Cleverton tem envolvimento com o tráfico de drogas e é notório que os traficantes não gostam da presença da polícia, por isso ele já estava na mira dos criminosos", ressaltou Vieira.

De acordo com o DHPP, a morte do cabo teve a participação da esposa dele, Andréa Santos Coelho, 35, presa em flagrante depois do crime e de um menino de 12 anos, que foi apreendido e entregue à família por decisão do Ministério Público. Cleverton era o único que estava foragido. O delegado enfatizou a gravidade do crime e que a polícia comprovou a participação dos três acusados. "Você vai ter uma linha de defesa tentando atribuir a problemas de relacionamento como motivo do crime e também há a nossa constatação de que eles tinham uma briga por conta de uma eventual partilha de bens, já que estavam em processo de separação, mas de qualquer sorte isso não afasta em nada a gravidade do crime. O importante é você ter a conclusão de que uma mãe envolveu seus dois filhos para executar o próprio companheiro", explicou.

Cleverton entregou ao DHPP a pistola ponto 40 que ele roubou do policial no dia do crime. O delegado-geral da Polícia Civil, Everton Santos, disse que, infelizmente, com o advento de drogas potentes, problemas envolvendo os relacionamentos intrafamiliares estão se tornando cada vez mais comuns. "É triste verificar que este crime em família não é um caso isolado. Esse rapaz tem envolvimento com o tráfico e muito outros crimes dentro da família geralmente um de seus membros tem envolvimento com o tráfico", destacou.
O inquérito que apura o crime deve ser concluído nos próximos 10 dias e entregue em uma das varas criminais da Comarca de Socorro. Andréa e Cleverton foram indiciados por homicídio qualificado e podem ser condenados a até 30 anos de prisão.

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