Milhares nas ruas pela democracia

Milhares de trabalhadores e estudantes ocuparam ruas e avenidas de Aracaju na tarde de ontem com o propósito de lutar a favor da democracia brasileira, estabelecida no ano de 1985 com o fim da Ditadura Militar, e contra o pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). Em Sergipe, a ‘Frente Brasil’, coordenada por 30 categorias trabalhistas e o Movimento dos Sem Terra (MST), calcula que no auge da marcha cerca de cinco mil pessoas estiveram participando do ato público. Representando comunidades trabalhistas, 45 caravanas deslocaram-se dos mais diversos municípios sergipanos com direção a Aracaju. Populares ainda pediam a saída de Joaquim Levy, ministro da economia; e de Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados.
Além da classe trabalhadora, partidos políticos que formam a base de apoio ao Governo Federal e grupos estudantis organizados pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e União da Juventude Socialista (UJS), também estiveram participando do ato. Apesar de defender a manutenção da democracia e aconselhar que líderes da oposição comecem a compreender e aceitar a derrota que sofreram nas urnas em outubro do ano passado, representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) declararam insatisfação com determinadas ações da presidente, e aproveitaram o momento para solicitar junto aos trabalhadores a permanência nas ruas. Essa postura democrática tem como finalidade pressionar o governo para que as propostas eleitorais apresentadas em campanha sejam definitivamente atendidas.
De acordo com Roberto Silva, membro da CUT, em Sergipe a luta nas ruas começou no ano passado diante da perspectiva de continuidade no progresso administrativo brasileiro que, na opinião do trabalhador, começou a ter ascensão com a posse do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, mas vem apresentando retrocesso desde janeiro deste ano. "Não podemos aceitar que esse pedido de impeachment seja levado a sério porque fere a honra de uma democracia que foi conquistada com muito sacrifício pelo próprio povo brasileiro. Somos contra esse pedido, somos contra o golpe que estão querendo à força implantar, somos a favor de Dilma, mas também queremos que ela tome rumo e comece a por em prática o que prometeu durante a campanha", disse.
Já com um tom mais rígido e imponente, a deputada estadual Ana Lúcia (PT) defendeu a atual gestão federal e disse entender as dificuldades vivenciadas atualmente por Rousseff. Quatro dias após a realização de vários atos públicos pelo país, os quais pediam, em especial, o fim da corrupção e a derrubada da presidente do poder, a liderança política avaliou o conjunto de mobilizações como procedimento normal dentro de um país democrático. Visivelmente indignada com a onda de críticas ao partido politico em que compõe, Ana Lúcia deixou claro que os pedidos de impeachment partem de grupos formados pela direita política e relembrou casos polêmicos de corrupção vivenciados no Estado de Sergipe.
"Falam muito do PT, tudo que ocorre de errado nesse país, lá fora ou onde quer que seja os ‘coxinhas carnavalescos’ tentam fazer a maior festa e botar a culpa no PT. Agora muitos esqueceram que Sergipe recentemente foi destaque nacional com o desvio de 180 milhões de reais no caso da Navalha que envolveu gestores até atuais que formavam o antigo PFL, hoje DEM. Eu como professora, sugiro que as pessoas comecem a estudar mais história e não tenham memória curta. A Navalha existiu e nenhum manifestante de domingo soube criticar, muito menos pedir esclarecimentos junto àqueles que estiveram envolvidos e apoiavam o carnaval fora de época realizado no domingo", declarou Ana.
Quanto ao termo ‘Coxinha’, utilizado no respectivo discurso da deputada, trata-se de um termo pejorativo usado na gíria e que serve para descrever uma pessoa com elevada capacidade financeira, que usa roupas de marca e que frequenta apenas ambientes elitizados. Essa denominação teve origem no Estado de São Paulo, e tem sido bastante estereotipada a eleitores do senador Aécio Neves (PSDB), então candidato à presidência da República e principal oponente de Dilma. Representando o diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, o ex-deputado sergipano Márcio Macêdo, atual tesoureiro da sigla garantiu que o partido apenas estaria nas ruas apoiando as manifestações a favor da democracia e contra o pedido de intervenção militar.
"Volto ao meu estado e fico bastante satisfeito em perceber que o nosso povo continua nas ruas lutando por democracia e contra o retorno do regime militar. Essa nação é formada pela classe trabalhadora, e somos nós, do povo, que iremos sustentar o governo que é formado por gestores responsáveis e compromissados com a nação", declarou Márcio. Sobre os esquemas de corrupção envolvendo vários partidos políticos, incluindo o PT, ele garantiu que tem consciência de atos ilícitos articulados por filiados ao partido, mas ressaltou que todos os envolvidos estão sendo retirados da gestão pública e encaminhados para a justiça adotar as medidas cabíveis.
O ato público que teve início na Praça General Valadão, centro da capital sergipana, seguiu pelas ruas da zona comercial, Avenida Pedro Calazans, Avenida Barão de Maruim, Rua Itabaiana e encerrou por volta das 18h na Praça Fausto Cardoso.

Atos – Novos atos estão previstos para ocorrer em Sergipe já no próximo mês de setembro. No dia 7 de setembro, durante o desfile do grito dos excluídos, representantes da Frente Brasil voltam a promover atos em apoio à presidente, à democracia e contra uma possível proposta de golpe. O manifesto volta a ser coordenado, em especial pela CUT, e pela Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB). O desfile está previsto para ocorrer por volta das 11h30 na Avenida Barão de Maruim.

Compartilhe esta notícia