Gabriel Damásio
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A Força Nacional de Se-gurança Pública (FNSP) será novamente convocada para reforçar a segurança nos presídios em Sergipe. O pedido já foi encaminhado ao Ministério da Justiça pelo governador interino Belivaldo Chagas (PSB), mas ainda depende de uma aprovação de Brasília. Caso ela saia, cerca de 150 soldados serão enviados para o Estado e distribuídos entre as oito unidades prisionais da capital e do interior. Esta foi uma das decisões tomadas ontem à tarde, durante uma reunião entre Belivaldo e as cúpulas das secretarias de Justiça e Segurança Pública. O encontro foi convocado para discutir os incidentes ocorridos na última sexta-feira, quando 20 detentos fugiram do Presídio Regional Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória (Sertão), matando um agente prisional e ferindo outros dois.
Apesar da gravidade do episódio, o governo assegura que o pedido de ajuda à FNSP não foi motivado pela fuga, mas sim por uma possibilidade de greve dos agentes penitenciários. O oficio encaminhado a Brasília já estava pronto antes do afastamento temporário do governador Jackson Barreto (PMDB), o qual decidiu usar do expediente depois que os agentes atrasaram a visita de familiares no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em 8 de agosto. Será uma repetição do que aconteceu em junho de 2014, quando a Força Nacional também veio para as cadeias sergipanas, após uma greve dos agentes e a consequente fuga de 39 homens do Presídio Regional Manoel Barbosa de Souza (Premabas), em Tobias Barreto (Centro-Sul).
"Essa mobilização dos agentes já existia há algum tempo e nós tínhamos indicação de que eles poderão deflagrar uma greve e fazer coisas piores para impedir o funcionamento do sistema. O sistema prisional é muito sensível e qualquer atitude fora do normal pode gerar consequências muito graves. Por isso, fizemos o pedido na semana passada e reiteramos ele agora, depois da fuga", confirma o secretário estadual de Comunicação, José Sales Neto, deixando claro que a presença da Força será um reforço amais na segurança dos presídios. "O governo não quer criar animosidade com os agentes penitenciários, pois reconhece o bom trabalho que eles fazem na garantia da segurança da sociedade, e entende que as suas reivindicações são justas e pertinentes", pondera.
Ainda na reunião, ficou decidido que o governo vai comprar mais armas e equipamentos de proteção individual (EPI) para a Secretaria de Justiça (Sejuc), restando ainda a definição de detalhes sobre o edital de licitação. Foi pedido ainda que a Procuradoria Geral do Estado (PGE) faça um estudo para a abertura de concurso público, visando a contratação de mais agentes penitenciários, mas dentro dos limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. O prazo para uma definição quanto ao concurso não foi divulgado.
Armas plantadas – Na reunião, o governador foi informado que a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a origem das armas usadas pelos presos durante a fuga do Preslen, inclusive para disparar contra os agentes. Durante a operação de busca pelos presos, soldados do Pelotão de Policiamento em Área de Caatinga (Pepac) encontraram um revólver calibre 38 especial com seis munições, uma pistola calibre 380 importada da Eslováquia e uma escopeta calibre 12 que foi tomada de um dos agentes prisionais de Glória, com seis cartuchos deflagrados. Com o dia claro, soldados do 10º Batalhão (10º BPM) apreenderam outra pistola 380 no povoado Sucupira, em Nossa Senhora das Dores, onde uma ambulância roubada por 10 fugitivos capotou em uma curva.
De acordo com Sales, a polícia já descarta que o revólver e as pistolas tenham sido roubadas de dentro do presídio. "As armas não pertencem ao sistema de segurança. Temos certeza de que elas foram colocadas dentro do presídio e entregues aos presos. Agora, precisamos descobrir quem entregou essas armas aos presos e como isso aconteceu. E o governo vai investigar, sem acusar ninguém e sem descartar nenhuma hipótese", disse o secretário. As primeiras apurações da Civil apontam que um agente teria facilitado a entrada das armas e que a fuga pode ter sido planejada pelos presos Alessandro de Souza Cavalcante, o "Billy", e Clodoaldo Rodrigues Bezerra, condenados a 45 anos de prisão pelo atentado contra o desembargador Luiz Mendonça, do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em 18 de agosto de 2010. Os dois estão entre os foragidos.

