Mais um incidente envolveu policiais militares em uso irregular de armas de fogo. No final da tarde deste domingo, dentro do Parque da Cidade, no bairro Porto Dantas (zona norte), aconteceu uma troca de tiros entre o sargento Edmilson dos Santos Feitosa, do Pelotão de Policiamento da Área de Caatinga (Pepac), e soldados do Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) e do Grupamento Especial Tático de Ações com Motos (Getam). O militar acabou baleado na perna esquerda e foi internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), sem gravidade e recebendo alta horas depois.
Segundo informações do Comando da Polícia Militar, Feitosa estava no parque à paisana e dando aulas de tiro para duas mulheres recém-aprovadas do concurso da Polícia Civil. Já as equipes da RP e do Getam estavam de serviço e foram chamadas ao local por vizinhos que estranharam o barulho de disparos vindos do parque, imaginando se tratar da ação de bandidos. Os policiais enviados fizeram uma incursão na área de mata e abriram fogo, provocando a reação do sargento.
Ao ser baleado, Feitosa foi socorrido ao hospital, mas recebeu voz de prisão do oficial que comandava as guarnições. De acordo com o porta-voz da PM, tenente-coronel Paulo Paiva, o sargento vai responder por pelo menos dois crimes militares. "A Corregedoria da PM autuou-o em flagrante pelos disparos que ele efetuou contra a guarnição e os que ele estava fazendo em local público, de forma completamente irregular. Além disso, ele vai responder disciplinarmente, já que [a aula] não se tratava de uma instrução oficial, foi algo que ele fez por conta própria, sem conhecimento da Polícia Militar ou da Polícia Civil", esclareceu Paiva.
Foi o segundo episódio do tipo em menos de três dias. Na última sexta-feira, o recruta Felipe Júnior Santos, 26, aluno do Curso de Formação de Soldados (CFSd), foi baleado no peito por um soldado do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq), depois de sacar a arma para o colega na porta do condomínio onde ambos moram, no bairro Siqueira Campos (zona oeste). Segundo a PM, a atitude do soldado foi uma "brincadeira" para assustar o militar, que por sua vez pensou se tratar de um assalto. O aluno permanece internado no Huse e já foi transferido para uma enfermaria do setor de trauma, sem risco de morte. Ele também foi autuado pela Corregedoria, pois não estava autorizado a andar armado fora do horário de serviço. (Gabriel Damásio)


