Governo começa a pagar, mas servidores protestam

Estado inicia pagamento da segunda parcela de salários

O Governo do Estado iniciou ontem, 02, o pagamento da segunda parcela do salário do funcionalismo público. Os vencimentos correspondem ao mês de agosto. O pagamento da primeira parte teve início no último dia 28.

Receberam nesta quarta os funcionários que ganham acima de R$ 2 mil e estão lotados nas Secretarias de Governo (Segov), Planejamento (Seplag), Fazenda (Sefaz), Agricultura (Seagri), Ciência e Tecnologia (Sedetec), Justiça (Sejuc), Inclusão Social (Seidh), Infraestrutura (Seinfra), Cultura (Secult), Comunicação (Secom), Turismo e Esporte (Setesp), Meio Ambiente (Semarh), além da Procuradoria Geral do Estado (PGE), Conger, vice-governadoria, Casa Civil e pensões especiais.
Hoje, dia 3, terão acesso à segunda parcela os funcionários lotados no Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária (DER), Fapitec, Instituto Tecnológico e de Pesquisa (ITPS), Fundações Renascer e Aperipê.

Na sexta-feira, dia 04, recebem Empresas de Desenvolvimento Sustentável (Pronese), de Desenvolvimento Agropecuário de Sergipe (Emdagro), de Tecnologia da Informação (Emgetis) e Sergipana de Turismo (Emsetur); Companhias de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Irrigação (Cohidro), de Desenvolvimento Econômico (Codise), e de Habitação e Obras Públicas (Cehop).
Até o dia 11, serão garantidos os pagamentos dos servidores da Secretaria de Segurança Pública, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

Servidores públicos ameaçam fazer greve geral ainda este mês

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

As últimas 24 horas foram marcadas por longas filas e transtornos para centenas de usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que buscavam atendimento básico e especializado em alguma unidade pública de saúde. Toda essa desordem no sistema foi ocasionada diante da manifestação realizada em conjunto por 30 categorias que prestam algum tipo de assistência profissional ao Estado de Sergipe. Inconformados com a postura adotada pelo Governo para debater cumprimentos dos Planos de Cargos e Salários (PCCVs), os servidores cruzaram os braços e ocuparam a entrada principal do Palácio dos Despachos, sede administrativa do Estado, em Aracaju. Durante todo o dia de ontem apenas 30% da escala funcional esteve presente nas unidades de saúde.

Durante a mobilização que foi coordenada pelo Sindicato do Fisco de Sergipe (Sindifisco), a classe trabalhadora destacou a necessidade de o governador em exercício, Belivaldo Chagas, ampliar o diálogo junto aos servidores a fim de inviabilizar problemas mais agravantes que podem ocorrer já em curto prazo. Caso este pedido não seja atendido conforme pleiteado na manha de ontem, uma greve geral está prevista para ocorrer nos dias 22, 23 e 24 de setembro em todas as unidades de saúde administradas pelo Governo de Sergipe, como também em outros departamentos considerados essenciais, a exemplo do Detran, do Centro de Atendimento ao Cidadão (Ceac), e dos postos de fiscalização administrados pela Secretaria de Estado da Fazenda.

Declarações feitas pelo presidente do Sindifisco, Paulo Pedrosa, deixaram evidências de que os servidores públicos permanecem insatisfeitos com a forma administrativa adotada pelo Governo. "O ato foi necessário para que possamos continuar pressionando o governador e seus secretários. É inaceitável que ele insista em manter a insensibilidade e intransigência, já que desde 2012 ele só repôs a inflação no ano passado, ou seja, falta aos servidores a reposição salarial de 24 meses. Reuniões até são agendadas, mas queremos contrapropostas que satisfaçam as categorias", destacou.
Paralelo ao pedido de implantação do PCCV e subsídios, a classe trabalhadora também solicita a reposição inflacionária, melhorias nas condições de trabalho, e mostram-se contra o parcelamento dos salários dos servidores que nos últimos oito meses ocorreram em três ocasiões. O ato contou com o apoio da Central dos Trabalhadores e Trabalhadores do Brasil, Sergipe (CTB/SE) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que reforçaram a necessidade de valorização do servidor público.

Na avaliação do presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), Augusto Couto, a paralisação desta terça-feira é a continuação de um movimento unificado e que está a cada dia mais fortalecido. "Este movimento organizado é para mostrar ao governo que nós não estamos parados, mas buscando constantemente os nossos direitos. O governo tem que respeitar e dar o nosso reajuste dignamente e assinar o acordo coletivo porque estamos com uma pendência de três anos", disse o líder sindical, que concluiu dizendo: "Além disso, temos várias situações envolvendo a nossa categoria, como as duas variáveis que não foram pagas e nem implementadas pelo Estado e que nós estamos cobrando hoje. Queremos ainda a imediata implementação do PCCV que é uma busca não apenas do Sintasa, mas de todos do movimento sindical".
Marcaram presença representantes dos sindicatos: Sintese, Sintrase, Sinpol, Adepol, Sindimed, Sinter/SE, Sindinutrise, Sindijor, Sinditic, Sterts, Sindasse, Sindisan, Sinpsi, Sintradispense, Senge, Sindiconam e Sindjus.

Enfermeiros – Representantes do Sindicato dos Enfermeiros do Estado de Sergipe (Seese) também compuseram a comissão de trabalhadores que protocolou por volta das 9h30 um documento unificado a fim de esclarecer oficialmente os motivos da paralisação. Além das reivindicações já conhecidas dos gestores públicos, o dossiê também destacava a necessidade de uma resposta definitiva a ser apresentada até o próximo dia 11. Caso não haja retorno, a greve de três dias será anunciada pelos sindicalistas. Respeitando a Constituição Federal, os enfermeiros garantiram que no mínimo 30% da categoria permaneceram atendendo à demanda de pacientes.

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