Jovem detalha assassinato

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

"Eu puxei a corrente dele, ele reagiu e aí eu desferi um golpe nele". Esta foi a fria confissão de Lucas dos Santos Forrest, 19 anos, ao assumir a autoria do assassinato do professor de dança Tayrone Rodney Menezes Ribeiro, 26, esfaqueado em 30 de agosto na Orla de Atalaia (zona sul), durante a Parada LGBT de Aracaju. Forrest, que era procurado há cerca de duas semanas, foi apresentado ontem de manhã pela Polícia Civil, horas depois de se entregar na Delegacia Especial de Turismo (Detur). Acompanhado por um advogado, ele foi à Detur no começo da noite de anteontem, depois de ter o seu esconderijo invadido pela polícia.
De acordo com o delegado Fernando Melo, responsável pelo caso, as buscas por seu paradeiro foram decisivas e acabaram forçando o acusado a se render, principalmente após ser convencido pela mãe. "Na verdade, logo após do crime, já tínhamos conhecimento de que tinha sido ele o autor do crime. Durante toda a semana que se seguiu, nossa investigação se centrou em buscar provas e conseguimos que a Justiça decretasse sua prisão. Saturamos bem a área [da Coroa do Meio, onde Forrest morava], invadimos os possíveis esconderijos dele e ontem [anteontem], a mãe dele nos procurou, temendo até pela vida dele em um possível embate com a polícia, resolveu apresentá-lo na Detur", disse Melo.

O delegado acrescentou ainda que as provas contra Lucas ficaram mais fortes com a prisão de dois receptadores que negociaram a corrente de prata de Tayrone, roubada durante o assalto na parada. A joia foi encontrada com Elenilson Santos Silva, o qual admitiu ter comprado a corrente de Jeová da Silva Santos, o "Fofão", apontado pela polícia como traficante de drogas e que ficava com celulares e outros bens roubados por Forrest. "Essa prisão foi feita pela Polícia Militar, a quem agradeço, e veio corroborar a participação de Lucas, provar de maneira contundente que ele foi o autor do delito", afirmou.
Aos jornalistas, Lucas se disse "arrependido" do crime cometido, mas não chegou a demonstrar nenhuma emoção e contou sobre os fatos daquela tarde, com uma surpreendente tranquilidade no tom de voz e na face. "Eu saí com a intenção de assaltar. Encontrei duas facas dentro de uma planta, joguei uma fora e fiquei com a outra. Fiquei curtindo o show com a faca. Depois de algumas horas, ele [Tayrone] passou por mim. Eu puxei a corrente dele, ele reagiu e aí eu desferi um golpe embaixo do braço dele. E na hora que dei o golpe, ele correu", descreveu Forrest.

O acusado admitiu também que não conhecia a vítima e que agiu apenas para tomar a corrente dela, vendida no mesmo dia do crime, ao preço de R$ 300. Perguntado sobre o arrependimento, Forrest disse que estava "muito arrependido" pelo que fez, mas disse que não pediria perdão aos pais e parentes de Tayrone. "Não vai adiantar pedir desculpa, porque não vai trazer o filho dele de volta. Vai tirar a dor que a família está sentindo. Eu tenho um arrependimento na minha mente, no coração. Se não, eu não tinha me entregado, só quando a polícia me pegasse", alega Lucas. A faca usada no crime não foi encontrada.
O alegado arrependimento de Forrest não convenceu os policiais que destacaram a frieza dele ao contar como cometeu o crime. "Não está provado que o Tayrone tenha reagido. Lucas puxou a corrente e, mesmo assim, deu a facada no outro, deu uma volta no trio elétrico e voltou ainda para ver a vítima agonizando e esperar ele morrer. Ele é frio, muito frio", criticou Fernando Melo, ao confirmar que Forrest confessou a autoria de dois assaltos a ônibus e vários roubos a pedestres na região dos Lagos da Orla. Lucas e os outros dois acusados serão indiciados pelos crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) e receptação.

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