Milton Alves Júnior
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Depois de 72 dias de greve, servidores do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) podem encerrar hoje o movimento. A confirmação foi feita na manhã de ontem pela direção do Sindicato da Previdência de Sergipe (Sindiprev) que volta a promover uma assembleia da categoria logo mais às 10h, na sede do sindicato, situada na avenida Ivo do Prado, em Aracaju. Caso a classe trabalhadora decida suspender a greve, seguindo orientação do movimento nacional, a perspectiva é de atividades paralisadas até a tarde da próxima terça-feira, 22, quando a categoria participará de uma audiência nacional a ser realizada em Brasília com representantes da direção geral do instituto. Em decorrência da greve, mais de 15 mil pessoas deixaram de receber atendimento no Estado de Sergipe.
Mesmo sem avanços nos pleitos apresentados ao Governo Federal, o presidente do Sindiprev, Isac Silveira, disse que em termos de porcentagem, a probabilidade de fim do movimento alcança a casa dos 99,999%. Sem nenhuma incorporação nas gratificações dos salários base e a redução da carga horária para 30 horas semanais, a greve contou com 490 servidores que participaram de diversos atos públicos, inclusive do Grito dos Excluídos. Eles não descartam a possibilidade de promover outros protestos ainda neste ano de 2015. Tudo depende de acordos a serem realizados na capital federal.
Desde o dia 09 de julho a meta dos trabalhadores do INSS era pressionar o Governo Federal para que fosse aprovado o reajuste salarial linear de 27,3%, além de qualificar as atuais condições de trabalho e ampliação no quadro de funcionários públicos através de concursos públicos. "Avançamos em pontos centrais como mudança parcial da gestão do INSS. Esse era um dos pleitos também destacados por nós e com isso acreditamos que haverá um novo modelo que será criado entre os trabalhadores e o governo, a incorporação das gratificações dos desempenhos. A greve tende a ser suspensa, mas vamos aguardar a decisão na assembleia", avaliou Isac Silveira.
UFS – Professores e técnico-administrativos da Universidade Federal de Sergipe (UFS) invadiram esta semana o prédio da reitoria a fim de protestar contra a forma como o Estado tem conduzido a pauta dos servidores. Em greve há 113 dias, as categorias decidiram na manhã da última terça-feira, 15, permanecer de braços cruzados depois que o Governo Federal anunciou o Ajuste Fiscal. Este anúncio oficial, na avaliação da classe trabalhadora, tende a prejudicar ainda mais os trabalhadores estatutários federais, como também todo o serviço público.
Por tempo indeterminado a perspectiva é que mais de 10 mil profissionais permaneçam de braços cruzados até que propostas satisfatórias possam ser apresentadas à classe trabalhadora. Enquanto isso não acontece, cerca de 30 mil acadêmicos permanecem longe dos laboratórios e salas de aula. Os federais da UFS, assim como os profissionais do INSS, também batalham pela reposição das perdas inflacionárias em torno de 27,3%, contratação de novos profissionais através de concurso público, qualificação das condições de trabalho, além de melhorias emergenciais em todos os campi da UFS e por uma data-base em negociação coletiva para saber anualmente quando vai receber o respectivo aumento. Servidores do Instituto Federal de Sergipe (IFS) apoiam o movimento.
Conforme destacado pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da UFS (Sintufs), a instituição possui atualmente um déficit superior a 1.010 técnicos administrativos e isso faz com que parte dos postos de trabalho esteja inativa, ou sendo administrada por trabalhadores terceirizados. Mesmo diante das críticas apresentadas pelos grevistas, o Governo Federal até o início da noite de ontem não se manifestou oficialmente. Novos atos públicos estão previstos para ocorrer a partir da próxima segunda-feira, 21. A programação será apresentada minutos antes de ser iniciada.

