Milton Alves Júnior
Na manhã de ontem os professores da Univer-sidade Federal de Sergipe (UFS) decidiram seguir a orientação do Movimento Nacional de Greve e retornar às atividades a partir da próxima segunda-feira, 19. Na semana passada, durante assembleia realizada na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal (Adufs), ficou decidido que a greve acabaria ontem, mas a proposta não foi aceita pela maioria das universidades no Brasil. Ao todo foram 138 dias de movimento grevista. Essa ação contribuiu para afastar mais de 30 mil estudantes das salas de aula.
Entre a série de reivindicações estava um reajuste salarial de 27,3% para todos os níveis de carreira, reajuste do auxilio alimentação, 30 horas de regime de trabalho, melhoria nas condições de trabalho, contratação de profissionais por meio de concursos públicos e revisão do plano de carreira. Apesar da luta sindical, a categoria acabou aceitando a proposta de reajuste de 10,8% a ser parcelado em dois anos.
Conforme contraproposta apresentada pelo Ministério da Educação, os professores receberão aumento de 5,5% em agosto de 2016 e de 5% em janeiro de 2017. Paralelo ao aumento salarial, estes profissionais devem receber acréscimos nos auxílios creche e alimentação e no valor per capita do plano de saúde.
Segundo informações do Governo Federal, o adiamento do reajuste, que tradicionalmente entra na folha de pagamento de janeiro, compõe o novo pacote de medidas da administração federal para redução de despesas em 2016, na qual inclui cortes no valor de R$ 26 bilhões. O Governo espera um impacto de R$ 7 bilhões a menos nos gastos públicos por conta da mudança do reajuste. Essa medida tem gerado insatisfação entre todos os servidores das instituições federais de ensino.
Dentro da mudança administrativa e corte de verbas para a educação pública, a Adufs afirma trabalhar na perspectiva de fortalecer o sistema defasado e contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que indica pagamento de mensalidade para determinados cursos à distância. Além de imoral, os profissionais avaliam a proposta como inconstitucional. Para a professora Rosângela Carino, é hora de arrumar a casa para receber os alunos, mas também não deixar de pressionar a presidente. "Ela, os ministros, os deputados, senadores e todos os outros que trabalham no poder público. O que estamos observando é um verdadeiro assassinato do ensino federal. Nos comprometemos a reiniciar as aulas nem sei como, mas vamos cumprir o que ficou determinado de forma unificada", disse.
Complicações – Com o fim da greve dos professores, outros problemas acabam interferindo diretamente no reinício das atividades. Na semana passada os técnicos administrativos da UFS, que também estavam em greve, reiniciaram os trabalhos e tentam por a casa em ordem. Sendo assim, nada, ou quase nada, está definido para dar sequência à metodologia de ensino dos cursos de graduação, pós-graduação, mestrados e doutorados.
A Adufs disse que todas as demandas constitucionais serão garantidas aos estudantes As aulas recomeçam na segunda-feira a partir das 7h em todos os campi da UFS. Quanto à continuidade da mobilização funcional, a categoria garantiu pressionar a administração pública, mas sem perspectiva de novas paralisações. Ao menos este ano.


