Milton Alves Júnior
Depois do fracasso nas vendas destinadas ao Dia das Crianças, lojistas de Aracaju começam a se programar para as festividades do final de ano a fim de tentar minimizar os prejuízos econômicos contabilizados em 2015. Conforme dados divulgados pela Câmara de Diretores Lojistas de Sergipe (CDL/SE), este ano o setor comercial registrou queda de 3,2% se comparado com o mesmo período do ano passado.
Este ano o indicador do SPC Brasil de consultas para vendas a prazo mostrou recuo em todas as datas comemorativas até agora, na comparação com o ano anterior: -4,93% na Páscoa; -0,59% no Dia das Mães; -7,82% no Dia dos Namorados e -11,21% no Dia dos Pais. Em alguns estados brasileiros o índice de redução nas vendas para este dia 12 de outubro alcançou a casa negativa dos 9%. Cientes da vulnerabilidade do setor comercial e claramente preocupadas com a atual crise econômica, muitas lojas da capital sergipana já começam a dispor de artigos natalinos, presentes e produtos alimentícios para a tradicional ceia. Tudo com preços acessíveis para a maioria das famílias brasileiras, garantem os vendedores.
Em meio aos utensílios dedicados ao dia 25 de dezembro, surgem também produtos para a noite de réveillon. O surgimento ‘precoce’ desses materiais reflete no clima instável deparado por milhares de empresas no país. Para a direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas, ao contrário do denso ano de 2015, o final de ano promete ser positivo diante da injeção de bilhões no pagamento do décimo terceiro salário do trabalhador. Além de acreditar na evolução positiva, Brenno Barreto, atual presidente da CDL, esclarece a necessidade dos vendedores se esforçarem para conquistar todos os clientes que apresentam dúvidas na hora de fechar a compra. O popular ‘jogo de cintura comercial’ deve surgir como carta coringa.
"Ter conhecimento dos produtos expostos é fundamental para repassar ao cliente a certeza que ele irá fazer uma boa ação ao adquirir o produto. Com esse dinheiro que será injetado no mercado junto aos trabalhadores, a tendência é que as pessoas acabem aplicando a verba em compras. Sendo assim, ter o dom da venda é fundamental para conquistarmos avanços no mercado e evitar novos dados nada satisfatórios", disse. Embora o Natal seja uma data com grande potencial de venda e momento de recuperar parte das perdas do ano, em 2015 o mês de dezembro deve ser marcado pela troca de lembrancinhas. Ou seja, nada de presentes com valores exorbitantes.
Segundo estimativas apontadas pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), é previsto que o desempenho do varejo tenha a primeira queda desde o início da série histórica, com o pior resultado em 12 anos. Apesar dos índices nada agradáveis para aqueles que começam a enfeitar as lojas com objetivo de atrair a clientela, o gestor da CDL Sergipe enalteceu a necessidade de manter o otimismo como princípio básico de superação da crise. "Quando nós acreditamos no sucesso e nos esforçamos para que ele aconteça, a probabilidade de realização é maior. Por isso é preciso se dedicar às vendas e acreditar que estas tendências nacionais podem ser derrubadas, ao menos aqui no Estado de Sergipe. Repito, otimismo é a palavra base para ter um final de ano lucrativo", pontuou.
Ponto de vista – Na avaliação dos vendedores e gerentes de lojas, diálogos com os consumidores, maior opção de produtos, fornecimento de descontos especiais para compras à vista e melhores condições de pagamento a prazo, permitem que os efeitos da crise não afetem, também, o melhor período para as vendas no atacado e varejo brasileiro. Com 18 anos de experiência no mercado aracajuano, a gerente Ana Célia de Azevedo diz nunca ter vivenciado um período de vasta preocupação no setor, mas também diz não acreditar em retrocesso nesta época do ano. Apesar da confiança atribuída, ela afirma não possuir como meta a contratação de trabalhadores em regime temporário. "Sem boas possibilidades de avanço nas vendas não tem como arriscar nessas contratações, ao menos por enquanto. Quem sabe lá na frente nós tenhamos que adotar essa medida e contratar uma ou duas pessoas", disse.
Questionada sobre o início imediato das vendas alusivas ao Natal e ao ano novo, a gerente definiu a postura como estratégia de crescimento. Fato jamais idealizado em Sergipe nos últimos 30 anos. "Nunca o comércio começou a se mexer para o Natal com menos de 48 horas após o Dia das Crianças. Encerramos as vendas no domingo e na terça já estávamos recolhendo boa parte dos artigos infantis e substituindo por artigos de Natal. Temos que correr para não ter novos prejuízos", pontuou.


