Milton Alves Júnior
Depois de 20 dias de portas fechadas, os bancos particulares reabrem logo mais a partir das 9h e devem atender milhares de clientes sergipanos que aguardavam com ansiedade o fim da mobilização nacional. A decisão foi tomada na noite de ontem durante assembleia extraordinária realizada pela categoria na sede do Sindicato dos Bancários do Estado de Sergipe (SEEB), em Aracaju. A princípio, a classe trabalhadora pleiteava um reajuste salarial de 16%, sendo 5,7% de aumento real sob a inflação, participação nos lucros e resultados (PLR) de três salários mais parcela fixa de R$ 7.246,82; além do repasse de décimo quarto salário. Acabaram entrando em acordo com a Federação Nacional de Bancos (Fenaban) e fecharam em 10% de reajuste.
Apesar dos poucos avanços conquistados a nível nacional, os bancários acreditam que chegou ao patamar ‘aceitável’. A decisão de parar a greve foi acordada também com o propósito de evitar maiores contratempos junto aos clientes que sempre apoiaram o movimento da categoria, mas já começava a criticar a suspensão total dos serviços. Ainda dentro do pleito reivindicatório a categoria exigia aumento no valor dos vales refeição, auxílio creche/babá, garantia de emprego e fim da pressão por metas e do assédio moral. Durante os 20 dias de greve mais de sete mil agências ficaram fechadas em todo o país. Em Sergipe foram 140, as quais representam mais de 4.500 funcionários.
Além dos reajustes dos 10% no salário, os banqueiros oferecem 14% nos vales refeições e retiram o pedido de compensação total das horas não trabalhadas nas quase três semanas de greve. Na tentativa de agradar aos grevistas, os banqueiros ainda aceitaram abonar 63% das horas dos funcionários com jornada de 6 horas e 72% para os que têm jornada de 8 horas. Isso significa que os trabalhadores compensariam apenas uma hora por dia até a segunda semana de dezembro. A orientação para que todos os estados convocassem os trabalhadores e decidissem suspender a greve foi apresentada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) e o Comando Nacional de Greve.
Ivânia Pereira, presidente do SEEB, entende que a última contraproposta apresentada pelos banqueiros não é a mais satisfatória para os trabalhadores, porém já resulta em um reajuste salarial, ao menos, de 0,12% acima da inflação. Democrática, a sindicalista destacou o voto livre como principal modo de aceitar o fim da mobilização que em Sergipe apenas não contou com o apoio dos funcionários do Banese. "Mais uma vez seguimos o que foi orientado pelo comando nacional de greve e os colegas bancários decidiram o que acharam melhor, ao menos para este ano. A luta pela valorização continuará com o propósito de evitar as desvalorizações que são impostas aos profissionais que atuam nos bancos públicos e particulares do Brasil", pontuou.
Diálogo – Agências do Itaú, Santander, HSBC e Bradesco aderiram à orientação nacional. Funcionários dos bancos públicos: Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste Brasileiro (BNB), e Banco do Brasil, seguiram dialogando a proposta apresentada pela Fenaban, e até as 20h30 de ontem ainda não haviam definido se permaneciam, ou não, com a greve. Ainda de acordo com a presidente, os trabalhadores da rede pública apresentaram insatisfação parcial da proposta e desejaram permanecer com o diálogo ainda na assembleia. "Nada impede que a greve acabe na noite desta segunda-feira, mas precisamos seguir explicando e dialogando melhor com os servidores dos bancos públicos. Por enquanto apenas o Banese e os bancos particulares estão em atuação", pontuou Ivânia.


