Funcionários da Petrobras, em Sergipe, concluíram na noite de ontem a paralisação das atividades no período de 48 horas. Na luta por reajuste salarial de 10% mais a correção monetária da inflação, a categoria bloqueou todos os acessos na sede regional da maior empresa estatal do Brasil, na rua Acre, bairro Siqueira Campos. A classe trabalhadora aproveitou o momento para protestar contra o plano de desinvestimento da estatal que tende a contabilizar 57,7 bilhões de dólares com a venda de ativos até o ano de 2019. Esta proposta da Petrobras é amplamente criticada pelos trabalhadores por entender que a empresa é bastante produtiva.
Para a direção do Sindicato Unificado dos Petroleiros, petroquímicos, químicos e Plásticos nos Estados de Alagoas e Sergipe, é preciso que a população tenha conhecimento dos interesses equivocados da empresa. Nos últimos dois dias de mobilização grevista, enquanto os servidores buscavam dialogar com a direção regional da Petrobras, a empresa se preocupava em garantir que a produção, mesmo diante da suspensão funcional, não sofresse alteração. Pressionada, a direção da estatal garantiu que o pleito foi dialogado nacionalmente no Acordo Coletivo de Trabalho 2015, e já encaminhou uma contraproposta para o sindicato indicando 8,11% de reajuste salarial.
De acordo com Bruno Dantas, presidente do Sindipetro, a postura dos sindicalistas tem sido firme a favor da valorização da Petrobras. Segundo o sindicalista, caso os aditivos sejam realmente vendidos, a perspectiva é de aumento em todos os produtos fabricados pela empresa, entre eles, o gás de cozinha e combustíveis automotivos. "Nós como servidores desta empresa não podemos aceitar esse tipo de negociata e por isso estamos mobilizados pelo Brasil. Queremos pedir o apoio da população sergipana para que se juntem a nós e não permitam que essa injustiça seja feita. Caso isso ocorra, todos nós iremos sofrer as consequências", destacou.
Além de Sergipe, os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Alagoas, Amazonas e Paraná decidiram aderir ao movimento nacional. Na próxima terça-feira, 03, o sindicato volta a se reunir em assembleia a fim de estudar a possibilidade de deflagrar uma greve geral e por tempo indeterminado. "Essa ação não deve ser descartada, em especial neste momento de dificuldade. Vamos nos reunir com a categoria e estudar as contrapropostas e a real possibilidade de estender a greve, mas desta vez sem previsão de volta aos trabalhos", pontuou Bruno Dantas.
Nota – Oficialmente a Petrobras informou que deu prosseguimento às reuniões de negociação com os sindicatos na última quinta-feira, 29, e acordou com estes um calendário de reuniões até a próxima semana para discutir as cláusulas do Acordo Coletivo de Trabalho 2015. Na quarta-feira (28/10), a companhia já havia apresentado uma nova proposta para as cláusulas econômicas do acordo, com reajuste 8,11% nas tabelas salariais, entre outros itens.
A apresentação da nova proposta econômica e a proposição de detalhar as cláusulas do ACT em reuniões acordadas com os sindicatos reforçam o compromisso da companhia de dialogar abertamente com as entidades sindicais. O objetivo é chegar a um entendimento sobre o ACT 2015 na mesa de negociação. Em relação às mobilizações dos sindicatos em algumas unidades da companhia, a Petrobras destaca que as atividades da empresa estão normais e não há prejuízos à produção ou ao abastecimento do mercado


