Uma tumultuada assembleia ocorrida ontem à tarde na sede da Associação de Cabos e Soldados (ACS), no Santos Dumont (zona norte), confirmou o racha entre as sete associações de classe da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros. Os seus integrantes divergiram da proposta de tabela salarial que foi formulada pelos comandos das corporações e entregue ao governador em exercício Belivaldo Chagas. Após mais de três horas de intensos debates, quatro entidades decidiram formar as Associações Militares Integradas, um grupo semelhante às Associações Unidas, responsáveis pelo Movimento Tolerância Zero, deflagrado nos anos de 2009 e 2011.
O grupo liderado pela Unica (União da Categoria Associada) vai defender a adoção de um plano de carreira com promoção automática, isto é, a mudança compulsória de posto conforme o tempo de serviço dos militares. "As associações que aqui ficaram se comprometeram a se unir e levar a proposta da progressão automática ao governador. O servidor militar sofre hoje uma estagnação em sua carreira. Pra se ter uma ideia, existem cabos que estão há 27 anos na polícia e ainda são cabos. Queremos uma profissionalização da polícia e um incentivo para que o policial cresça e faça carreira dentro da polícia", argumenta o presidente da Única, Willanês Santos, o ‘Will Guerreiro’.
A proposta da Única ganhou o apoio da ACS, da Associação de Praças Militares (Aspra) e da Associação dos Bombeiros (Asbom), que formam as Integradas e vão entregar um ofício ao Comando da PM nesta segunda-feira, formalizando a proposta. Já a proposta oficial, que prevê reajustes salariais entre 14 e 38% de acordo com as patentes militares – o que aumentaria a folha da PM em R$ 3,3 milhões -, foi defendida pela Associação dos Oficiais Militares (Assomise), Associação de Assistência ao Militar (AAM) e Associação dos Militares de Sergipe (Amese). No entanto, os seus respectivos presidentes foram hostilizados por parte dos policiais que compareceram à assembleia, que exigiam uma postura mais firme.
Houve instantes de discussão e gritaria, até que o presidente da Amese, Jorge Vieira, um dos líderes do ‘Tolerância Zero’, decidiu se retirar da discussão. "De forma tranquila e serena, decidi me retirar e torcer pra que a proposta dê certo. A gente vem à assembleia para construir uma proposta, decidir em conjunto. Você pode defender o seu ponto de vista, mas não perder o respeito, difamar, xingar. Só que o nível de radicalismo está tomando conta do racionalismo. Não se consegue construir uma proposta", justificou o sargento, opinando que a proposta apresentada ao governador é a mais viável no momento. "É claro que existe uma desconfiança, porque a tropa está sofrida, mas fazemos um trabalho sério e o comandante está bem intencionado", disse Vieira. Os integrantes da AAM e da Assomise acompanharam a decisão de Vieira. (Gabriel Damásio)


