Lixões estão espalhados por toda a cidade

Desde ontem garis e margaridas da empresa Torre tentam regularizar o serviço de coleta de lixo doméstico e comercial que ficou acumulado ao longo dos últimos três dias em vários bairros da capital sergipana. De acordo com a Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), durante o impasse foi possível aglomerar em ruas, praças e calçadas mais de 600 toneladas de lixo que, desde a madrugada de ontem, começaram a ser recolhidos. A decisão em suspender as mobilizações foi possível após a categoria participar de reunião na sede da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), em Sergipe.

A direção do Sindicato dos Trabalhadores da Limpeza Pública e Comercial de Sergipe (Sindlimp) destacou que a decisão em parar o movimento apenas se tornou possível mediante a quitação dos débitos referentes ao ticket alimentação e vale transporte que encontravam-se em atraso desde o dia 13 de outubro. Apesar do reinício das coletas, muitos conjuntos habitacionais permanecem enfrentando o mau cheiro que é expedido pelos lixões que foram criados. No Augusto Franco, por exemplo, vias que deveriam ser usadas exclusivamente por ciclistas e pedestres foram ocupadas por sacolas e caixas de lixo.

Feiras livres e o comércio abrangente têm contribuído para aumentar esse tipo de situação preocupante para a população. Na avaliação da aposentada Juracy Moraes, a falta de respeito aos direitos dos trabalhadores permite que situações antes pouco vivenciadas pelos moradores da capital, agora passem a ser registradas com maior frequência. "É preciso entender que estamos tratando de direitos dos trabalhadores e que esse dinheiro atrasado na conta atrapalha qualquer família de classe baixa. Minha secretária do lar é casada com um gari e ela disse que essa situação é vivenciada desde o ano passado, mas parece que 2015 foi ainda pior", afirmou.

Para suprir a demanda que foi deixada durante o período de paralisação, na qual mais de 50% da categoria aderiu ao movimento, equipes extras utilizam o apoio operacional de caminhões desde as 6h de hoje para cessar a irregularidade. Para a direção sindical, além de os órgãos de fiscalização garantirem os repasses legais da atualidade, é preciso que ações emergenciais sejam ajuizadas a fim de evitar a volta dos problemas que foram enfrentados por mais de 1.400 trabalhadores. A abrangência dos impasses começou há menos de quatro meses quando um acordo foi firmado e homologado no Tribunal de Contas do Estado, destacando o parcelamento da dívida da Emsurb de 25 milhões de reais em 15 vezes.

Distante poucos quilômetros do Augusto Franco, moradores dos bairros Orlando Dantas e São Conrado também afirmam sofrer com a coleta de lixo. Segundo informações dos populares, desde o ano passado a coleta na região deixou de ser diária durante algumas semanas. As lamentações já foram apresentadas junto à Prefeitura de Aracaju, mas até o momento os denunciantes afirmam que nada foi resolvido em prol da comunidade. "Nos dias de chuva então, parece que a coleta é dia sim, dia não. Com a greve nem se fala. Mês passado nós passamos foi uma semana juntando lixo dentro de casa. Estava uma nojeira tão grande que nem a gente estava aguentando mais. Já foi o tempo que a coleta era diária", lamentou o comerciante Clauderson Bispo. A tendência é que até as 17h de hoje o procedimento emergencial seja concluído.

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