João Alves não paga e cirurgias são suspensas

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Uma dívida de R$ 13,5 milhões fez com que a direção do Hospital de Cirurgia determinasse a suspensão das cirurgias seletivas realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) até que a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), quite o débito. Durante pronunciamento feito ontem pelo diretor geral do Hospital, Gilberto Passos, ficou claro que o problema está relacionado à não existência de verba em caixa. O gestor destacou que ao longo dos últimos meses tem se reunido com representantes do poder municipal que alegam falta de recursos para quitar as pendências.
Com um orçamento mensal de R$ 6 milhões, a segunda maior unidade hospitalar de Sergipe que atende aos pacientes do SUS irá, inclusive, suspender as atividades médicas junto àqueles que necessitam de cuidados oncológicos. Conforme detalhado pelo diretor, as cirurgias eletivas são aquelas que não apresentam nenhum caráter de urgência ou emergência. Sem risco de vida ou sofrimento intenso, ela pode ser remarcada sem problemas, ou seja, procedida nova data a ser escolhida pela equipe. Quanto ao débito apresentado Gilberto destacou que a dívida vem se acumulando desde o último mês de junho quando a unidade não conseguiu suprir financeiramente a demanda gerada.
"Infelizmente percebemos que a situação tem se descontrolado desde o mês de São João quando a demanda médica começou a aumentar significativamente no Hospital de Cirurgia. Após notar essa irregularidade nós acionamos a prefeitura da capital para discutir o problema antes que chegasse a esse limite. Infelizmente o dinheiro necessário não foi repassado e não tivemos outra medida a não ser suspender as cirurgias", lamentou o diretor. Sem provável solução para os próximos dias, a perspectiva é que a decisão paliativa seja mantida por tempo indeterminado. Por mês, a unidade é responsável por realizar, em média, 30 processos cirúrgicos dessa natureza.
Apesar do pronunciamento feito pelo diretor, a Secretaria Municipal da Saúde informou que até a tarde de ontem não tinha recebido nenhuma notificação oficial quanto ao pedido de suspensão das cirurgias por parte do Hospital de Cirurgia. Por meio de nota a SMS informou ainda que o órgão municipal só irá se manifestar de forma oficial quando o relato do HC for protocolado na secretaria.
Surpresos com a medida administrativa, os pacientes Luis Alves e Alan Barreto Silva exigem que o Ministério Público Estadual (MPE) intervenha judicialmente e de forma imediata a favor dos sergipanos que não possuem condições financeiras para serem atendidos por planos particulares. "O que nós temos a ver com esse problema, com essa crise que o governo diz enfrentar, mas que na realidade não passa de um desrespeito aos diretos dos contribuintes brasileiros? O que não pode acontecer é esse serviço tão importante para a minha saúde e para a vida de dezenas de pessoas ficar sem funcionar por falta de compromisso financeiro. Espero que o MPE esteja atento a esse descaso com a população", disse.
Acordo –  No início da noite de ontem, após reunião da direção do hospital com o secretário municipal de Saúde, Luciano Paz, ficou acertado que a PMA retoma os pagamentos ao Cirurgia a partir de hoje. Se isso acontecer, o hospital volta a realizar as cirurgias.

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