A sede do diretório regional do PMDB, na Avenida Barão de Maruim, foi alvo de protestos durante o encerramento da manifestação pedindo o afastamento do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) da presidência da Câmara Federal. A manifestação foi organizada pela CUT, sindicatos e pelos PT, PSTU e Psol.
O presidente do PMDB de Sergipe, João Augusto Gama, entende que os manifestantes erraram de endereço. "Eles erraram de endereço. Todo mundo sabe que quem apoia o presidente da Câmara é o PSC. O deputado federal André Moura, inclusive, foi quem liderou o manifesto em defesa da permanência de Eduardo Cunha", disse Gama.
Gama lembra que quando Eduardo Cunha estava em campanha a presidência da Câmara, no início do ano, o governador Jackson Barreto foi o único do País a não recebê-lo quando ele fez uma visita ao Estado, mesmo sendo seu colega de partido. "Se queriam protestar contra os partidos que apoiam Cunha, deveriam ter feito na sede do PSC e não na do PMDB de Sergipe", diz o presidente do partido.
Cassação – A manifestação foi organizada para pedir a cassação do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), com participação do movimento estudantil, LGBT, sindicatos e partidos políticos. "Ô Cunha, ô seu machista, meu corpo não é sua conta na Suíça/ Legaliza, o corpo é nosso, é nossa escolha, é pela vida das mulheres/ Cunha, machista, PL moralista" foram as palavras que ecoaram pelas ruas do Centro.
A proposta da PL 5069 que só permite o atendimento médico às vítimas de estupro após o exame do IML soou como a gota d’água num contexto de muita revolta e insatisfação de uma população que assistiu um semestre de retrocesso conservador e ataques a exemplo da Redução da Maioridade Penal, Estatuto da Família, o fim da proposta de Reforma Política, Estatuto do Nasciturno, PL 4330 da terceirização e fim do emprego público, entre várias propostas de autoria ou defendidas pelo deputado Cunha até as últimas consequências. Além de ser proponente de Projetos de Lei machistas e homofóbicos, o presidente da Câmara Federal é acusado por ter recebido US$ 5 milhões relativo a esquema de corrupção.
Dirigente do Sintese e secretária da Mulher da CUT/SE, a professora Ana Luzia entende que o conservadorismo do momento é orquestrado por vários políticos e atores sociais, no entanto destaca o papel de Cunha na consolidação deste cenário preocupante. "Cunha é um corvo, é um mau presságio, ele tem um papel importante nesta onda conservadora preocupante que tem o objetivo de acabar com os direitos das trabalhadoras e trabalhadores. Ele personifica tudo que há de ruim, é o abutre, é o coveiro que quer enterrar o Brasil de vez".
Em cima de pernas de pau, atores encenaram a opressão contra a mulher representada pelo PL 5069. Em frente à sede do PMDB na Avenida Barão de Maruim o boneco de Cunha foi incendiado sob cantos de protesto.
Dirigente do Sindomestico, sindicato filiado à Central Única dos Trabalhadores, Raimunda dos Santos Leal ressaltou que o PL 5069 penaliza e violenta as mulheres que foram vítimas de estupro. "Muitas trabalhadoras que sofrem este tipo de violência ainda têm medo de fazer a denuncia, de chegar numa delegacia. Está claro que o PL de Cunha impõe mais uma dificuldade ao atendimento das vítimas, é uma ameaça à saúde destas mulheres e tende a aumentar ainda mais a impunidade nos casos de estupro".
Sobre a proibição da pílula do dia seguinte, a secundarista Larissa Alves, da Frente Sergipana Contra a Redução da Maioridade Penal, denunciou: "Quem tem dinheiro para fazer aborto não morre, só as mulheres pobres, as trabalhadoras que carregam este País nas costas, é a elas que é negado o direito de optar pelo seu próprio corpo. Se o corpo é nosso, temos que lutar por ele, e fazer com que esta PEC caia, assim como Cunha vai cair".


