Estacionamento do mercado está livre do Rotativo Aju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Depois de desavenças verbais e sucessivos atos públicos promovidos por feirantes e flanelinhas que atuam no Mercado Albano Franco, os estacionamentos da região central permanecem sem fiscalização da Prefeitura de Aracaju. Na manhã de ontem o Jornal do Dia esteve no local para novamente dialogar com a classe trabalhadora e descobriu que há mais de duas semanas a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), e os profissionais do programa Rotativo Aju não estão frequentando o espaço a fim de tarifar os veículos automotivos que estacionam em uma das vagas disponíveis. A medida tem agradado aos antigos manifestantes que ainda sonham com a possibilidade de dialogar em reunião com o prefeito João Alves Filho.

Conforme contabilidade apresentada pelos trabalhadores, com o início da ‘nova’ forma de a Prefeitura de Aracaju administrar as vagas, a renda semanal vinha caindo cerca de 40% nos finais de semana, se comparado aos demais períodos do ano. Essa queda na arrecadação é reflexo da falta de consumidores interessados em pagar para estacionar no amplo espaço localizado nas proximidades do mercado Albano Franco. Diferente da era Parquímetros, quando os prefeitos foram Marcelo Déda e Edvaldo Nogueira, desta vez, todo o entorno do centro comercial foi delineado para facilitar a cobrança de tarifa realizada por uma empresa não sergipana, e que possui a assistência operacional da própria SMTT.

"A ideia da gente era mesmo resistir até que a cobrança, pelo menos aqui, não fosse realizada e não atrapalhasse a nossa renda. Precisamos trabalhar para sustentar a família e por isso a gente fazia as manifestações. João nem aqui pisou os pés para conversar com a gente, diferente de quando veio na eleição pedir nossos votos, mas parece que a SMTT e a Guarda Municipal estão atendendo ao nosso pedido", afirmou José Maurício, flanelinha há 22 anos. Durante o registro das imagens e diálogos com os flanelinhas da região nenhuma viatura dos órgãos municipais foi avistada.

Compartilhando com o depoimento de Maurício, o também flanelinha Carlos Junior, de 26 anos, disse estar vivendo em paz sem a presença da GMA. "A gente não sabe até quando vamos ficar assim, mas ninguém pode negar que nessas duas semanas aqui está tranquilo nos dias de feira. O final de semana voltou a ser bom para a gente que trabalha. Se por um acaso a Guarda Municipal e a SMTT voltarem a tentar expulsar a gente daqui, aí sim os problemas vão voltar. Os feirantes estão com a gente e defende a não cobrança de vaga aqui", declarou.

Conflito – Em edições veicularas nos meses de agosto e setembro, o JD mostrou a difícil realidade financeira enfrentada pelos flanelinhas após a Prefeitura de Aracaju ter implantado o sistema de administração das vagas de estacionamento. Por diversas vezes estes trabalhadores protestaram sob mira dos agentes da Guarda Municipal. Na avaliação do guardador e lavador de carros Alberto Junior, faltava bom senso por parte da atual gestão municipal. Duro nas palavras, ele disse não suportar ouvir até os dias atuais um gestor público ir a um programa de rádio para defender o Rotativo Aju. As críticas renderam respaldo negativo até para os vereadores que compõem o grupo de apoio ao prefeito e aprovaram a instalação do sistema.

"Trabalho aqui há 30 anos e não é esse parquímetro que vai tirar a gente daqui. Por isso nos unimos e fechamos a avenida, algumas ruas, protestamos contra a Guarda Municipal, e ocupamos a porta da câmara de vereadores. Sobre os vereadores é até difícil lembrar porque eles sempre defenderam os interesses do prefeito. A maioria deram as costas pra gente, e ano que vem, nas eleições, a gente é que vai dar as costas. Nem venham pedir votos aqui porque o que pedimos só foi conquistado na luta e com o apoio dos clientes e da CUT", disse. Mais uma vez, o comando da GMA prefere não se manifestar quanto às denúncias de agressores apresentadas pelos feirantes e flanelinhas.

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