Funcionários da Emurb entram em greve por falta de salários

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Sem receber salários os servidores da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb) e um grupo de operários terceirizados da Classe A decidiram entrar em greve na manhã de ontem e seguir de braços cruzados até que os direitos trabalhistas sejam respeitados pela Prefeitura de Aracaju. Conforme criticada pelo Sindicato dos Empregados da Administração Indireta do Município de Aracaju (Seame), esta medida administrativa tem gerado desconforto para a classe trabalhadora que desde o início deste ano tem sofrido com a falta de respeito junto ao cronograma antigo de pagamento. A categoria pede ainda que seja elaborado um cronograma regular dos pagamentos dos vales transporte e cartão alimentação, que também estão atrasados.
Paralelo aos impasses financeiros, a direção sindical informou ainda que o governo municipal é avaliado como descumpridor de cláusulas do Acordo Coletivo. Este ano foi firmado uma parceria entre o Seame e a PMA, na qual garantia o fornecimento de café da manhã e implantação do Plano de Saúde, porém, nada está sendo cumprido pelo prefeito João Alves Filho. Na avaliação do presidente Cláudio Leite, a perspectiva é de adesão completa à greve por parte dos servidores que se encontram em período financeiro delicado.
Para ele, suspender as atividades operacionais por tempo indeterminado é a maneira mais apropriada para o momento. "A mobilização deve sim seguir até que a prefeitura nos pague tudo o que é de direito. Quem vai dizer até onde vai essa paralisação é o prefeito que deve mandar pagar o salário e os vales alimentação e transporte da categoria. Estamos no mês de dezembro, um período crucial para as finanças de muitos trabalhadores e nós cansamos de não saber quando vamos receber", afirmou.
Desde o último mês de janeiro dezenas de trabalhadores da Emurb, Emsurb e empresas terceirizadas estão recebendo os salários até o quinto dia útil de cada mês. Por duas oportunidades esses salários e demais benefícios foram repassados para o trabalhador após a data permitida pela Constituição Federal. O presidente reforçou o pedido de união dos trabalhadores.
"Podemos citar ainda que existem pensões judiciais que chegam a ser creditadas até no dia 15 do mês subsequente, e isso não podemos aceitar calados. Por isso convoco todos os colegas trabalhadores a se somar com o Sindicato dos Empregados da Administração Indireta de Aracaju para pressionar o prefeito e os secretários para que respeitem o cronograma de pagamentos", pontuou Cláudio Leite.
Saúde – Quando o assunto é a falta de compromisso com o trabalhador, aparentemente a Prefeitura de Aracaju terá ainda muito impasse para tentar resolver. Isso ocorre porque, paralelamente ao ato de greve dos profissionais da Emurb e Classe A, sindicatos da área da Saúde decidiram entrar na Justiça contra a administração João Alves por conta do atraso no pagamento das férias e do vale-transporte dos servidores municipais.
De acordo com José Wadson, presidente do Sintasa, os trabalhadores estão sofrendo com a situação que gera ‘desconforto’ e ‘humilhação’. "Este fato tem causado muitos problemas aos servidores porque muitos não têm um dinheiro extra, por exemplo, para poder pagar a passagem do ônibus e têm que pegar emprestado de amigos. É inadmissível que haja o atraso nas férias porque não é algo que o trabalhador pega de surpresa a prefeitura, mas que deve haver um planejamento", declarou. Por enquanto já apoia a ação judicial o Sindicato dos Cirurgiões Dentistas de Sergipe (Sinodonto), Sindicato dos Agentes de Saúde e Endemias de Aracaju (Sacema), Sindicato dos Trabalhadores Fisioterapeutas de Aracaju (Sintrafa) e Sindicato dos Psicólogos do Estado de Sergipe (Sindpsi).

Compartilhe esta notícia