Presos três acusados de tentar matar fazendeiro na Taboca

Gabriel Damásio
gabrieldamasio@jornaldodiase.com.br

Policiais do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) prenderam três acusados pela tentativa de assassinato contra o fazendeiro Valtemir Barreto do Prado, 56 anos, ferido em um atentado ocorrido no dia 3 de dezembro de 2015, em frente ao Loteamento Jardim Tainá, no povoado Taboca, em Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju). Segundo as investigações da 4ª Divisão da unidade, o crime teve a participação do empresário Otávio dos Santos Vasconcelos, 58, de seu filho Marcel Alves Vasconcelos, 28, e de um amigo do rapaz, Jamisson Santos Monteiro, 35. As prisões aconteceram no próprio povoado e no Conjunto João Alves, em Socorro.

Na ocasião do crime, Valtemir fiscalizava um serviço de pavimentação dos terrenos quando foi surpreendido por um homem armado e levou oito tiros de pistola. O proprietário ficou gravemente ferido e chegou a perder um dos olhos, mas conseguiu sobreviver. Socorrido rapidamente ao Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), ele foi transferido dias depois para o Hospital Primavera, onde ainda está internado e se recupera lentamente de algumas complicações.

De acordo com a delegada Juliana Alcoforado, responsável pelo caso, o motivo principal do crime foi uma disputa pela posse de 120 lotes do Jardim Tainá. Toda a área é avaliada em cerca de R$ 1,2 milhão e boa parte dela pertence a Valtemir, mas é reivindicada por Otávio, apontado como mandante do crime. "Essa situação gerou desavença entre eles, eles chegaram a discutir publicamente, questões estavam em andamento perante a Justiça, e isso ganhou uma aparência mais complicada depois que o senhor Otávio registrou um boletim de ocorrência na 5ª Delegacia, dizendo que estava se sentindo ameaçado, mas não relatando nenhuma ameaça", disse a delegada.
As investigações começaram com o relato de algumas testemunhas, as quais achavam inicialmente que o atirador era um segurança do funcionário. Elas relataram que, depois de atirar, o suspeito correu até um carro que foi até o local do crime para buscá-lo. A partir daí, a disputa pelo terreno e a possível relação de Otávio com o ataque passou a ser apurada. "Logo identificamos o senhor Otávio como possível suspeito e começamos a traçar relações interpessoais dele, a fim de buscar possíveis pessoas da esfera de convivência dele que teriam praticado o crime. E foi aí que chegamos no Jamisson, que foi contatado pelo Marcel, o filho do senhor Otávio", informa Juliana.

Segundo ela, Jamisson foi reconhecido "sem titubeios" por Valtemir, ao ter sua fotografia mostrada pelos policiais no hospital. A vítima confirmou que viu o rosto do atirador após ser baleada. "Jamisson e Marcel já trabalharam juntos em uma empresa, há anos atrás, e daí vem o vínculo de amizade entre eles. Nós temos convicção que o crime foi mediante recompensa, já que ninguém praticaria um ato desse gratuitamente, muito menos sem nenhuma justificativa pessoal, e Jamisson não tinha desavenças com a vítima. Só que os acusados não admitem isso", suspeita Alcoforado.

Em depoimento, Jamisson alegou ter cometido o crime para "ajudar o amigo" e disse que a arma do crime ficou com Marcel. Este, por sua vez, também admitiu participação no ataque ao fazendeiro, mas ao ser perguntado sobre o destino da pistola, invocou o direito legal de permanecer calado. Otávio, que alega ser proprietário de outros terrenos, afirmou à polícia que não tinha nenhum conhecimento do fato e disse ter sido "surpreendido" pela conduta do filho. No entanto, a delegada Juliana disse que há provas suficientes que apontam o envolvimento dos três acusados no atentado, incluindo informações sobre visitas de campo que os rapazes teriam feito em propriedades e até em endereços ligados a Valtemir.
Otávio, Marcel e Jamisson tiveram a prisão temporária decretada pela Comarca de Socorro, mas o DHPP vai pedir que eles fiquem presos temporariamente. Os três responderão pelo crime de tentativa de homicídio qualificado.

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