Preso acusado de liderar assalto a restaurante em Lagarto

A polícia começa a desvendar o assalto ocorrido no restaurante Labaredas Grill, em Lagarto, ocorrido em 6 de dezembro de 2015 e que teve mais de 12 clientes e funcionários como vítimas. O crime teve repercussão em todo o estado depois da divulgação de imagens que mostram ao menos oito bandidos invadindo o local por portas e janelas, passando por cima das mesas e obrigando as vítimas a correr e deitar no chão. Ontem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) confirmou a prisão de Sérgio de Jesus Batista, o ‘Urtiga’, 35 anos, condenado a mais de 60 anos de cadeia e apontado como o líder do bando que assaltou o restaurante.

 ‘Urtiga’ foi preso no Hospital Regional Dantas Bião, em Alagoinhas (BA), onde estava internado há cerca de um mês, depois de sofrer um acidente de moto na cidade vizinha de Esplanada. De acordo com o delegado Dernival Elói Tenório, chefe operacional da Coordenadoria de Polícia do Interior (Copci), ele foi o primeiro suspeito a ser identificado, a partir das imagens do vídeo e do relato de testemunhas. E estas suspeitas se confirmaram com as diligencias feitas por policiais da Delegacia Regional de Lagarto, em casas ligadas aos parentes do acusado. "Nessas diligências, estivemos da casa dos familiares de ‘Urtiga’, aqui em Aracaju, e nós encontramos celulares e outros objetos que foram levados na ação", disse Dernival. A renda do restaurante também foi levada.

Os agentes apuraram que, poucas horas depois do assalto em Lagarto, ‘Urtiga’ esteve em uma casa de parentes e depois seguiu para Esplanada, onde aconteceu o acidente. "Ele estava bastante ferido e deu entrada no hospital sem documentos. Mantivemos contato com a Coordenadoria de Polícia Civil de Alagoinhas, pedindo informações. Um delegado esteve no hospital, constatou que o Sérgio estava internado lá e nos mandou uma foto dele para confirmar a identificação", explicou o delegado. A prisão do paciente aconteceu nesta terça-feira, quando policiais sergipanos foram buscá-lo em Alagoinhas. Ainda com marcas de pontos nos pés, o preso foi apresentado ontem à tarde na sede da SSP, na capital.
Considerado de alta periculosidade, Sérgio já foi condenado a mais de 60 anos de prisão por vários crimes de roubo, estupro, homicídio e tráfico de drogas. O delegado-geral da Polícia Civil, Everton Santos, explica que ele chegou a ser preso em 2009, acusado de chefiar uma quadrilha que assaltava fazendas e sítios no Agreste e no Centro-Sul do Estado. ‘Urtiga’ cumpriu 12 anos da pena total, mas, conforme previsto em lei, progrediu para o regime semiaberto e acabou liberado em outubro passado, por falta de uma unidade prisional voltada para os presos deste regime em Sergipe. Entre os outros crimes praticados pelo foragido, estão os assaltos contra uma fazenda de um desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), em Frei Paulo, e contra a chácara de um policial civil em Itaporanga D’Ajuda, na qual a esposa dele acabou estuprada.

A partir das imagens do assalto e da identificação de Sérgio, Copci e a Regional de Lagarto identificaram outros sete envolvidos no assalto ao restaurante. Na ação, quatro indivíduos entraram no estabelecimento e outros quatro permaneceram do lado de fora, vigiando o movimento e aguardando em um carro. "O ‘Urtiga’ é experiente no crime e comandava várias ações delitivas mesmo dentro do presídio. Quando ele saiu, certamente já tinha os comparsas para se articular e voltar a cometer crimes", disse Dernival. A polícia apurou ainda que uma parte dos bens foi dividida entre os participantes do assalto antes da fuga do líder para a Bahia.

A divulgação das imagens do assalto nas redes sociais e na imprensa causou grande repercussão e tensão na população, o que fez a cúpula da SSP considerar a prisão dos envolvidos como uma prioridade. "Era questão de honra. O secretário Mendonça Prado determinou que nós priorizássemos a solução desse caso, porque foi algo que constrangeu bastante e causou um clamor muito grande na sociedade lagartense, bem como na sociedade sergipana", admitiu Everton Santos. Qualquer informação sobre os outros envolvidos no assalto ao restaurante de Lagarto pode ser repassada pelo Disque-Denúncia (181). A ligação é gratuita e o cidadão não precisa se identificar. (Gabriel Damásio)

Compartilhe esta notícia