Márcio: "João governa de frente para a 13 de Julho e de costas para a cidade"

O secretário nacional de Finanças do PT, Márcio Macêdo, lamentou, nesta segunda-feira, 15, que a deputada estadual Ana Lúcia tenha desistido de disputar a prefeitura de Aracaju pelo partido. Ele rechaçou que tenha contribuído para que a parlamentar retirasse o nome da discussão interna. "Nunca vetei a pré-candidatura de Ana Lúcia", afirmou. Para Márcio, a petista se precipitou. "Se ela tivesse se mantido, poderia ter aberto um debate muito proveitoso no PT", frisou. O ex-deputado voltou a defendeu que a legenda inicie a discussão sobre as eleições e criticou a falta de diálogo da Direção do partido com a militância.
 "Uma das questões que tenho colocado desde a metade do ano passado é que o partido precisa estabelecer um calendário de debate eleitoral. Não teve reunião, a militância está fora do debate, as instancias não estão discutindo. Isso é lamentável e muito ruim para o PT. Defendo que se comece o debate, de forma intensa, coletiva. Precisamos definir se vai ter candidatura própria ou se iremos apoiar um dos candidatos do leque de partidos que apoiam o governo de Jackson Barreto. Eu não tenho espaço na administração, mas o PT tem secretários e indicações no governo, então que realizar o debate dentro do leque de agremiações que estão com JB. Sem arrogância, mas pela história do PT, o partido não pode ir a reboque de ninguém. Tem que construir internamente e incluir a militância", ressaltou ele em entrevista à rádio Mix FM.
Para Márcio, só o início de uma discussão interna oficial poderia definir os destinos do partido. Ele negou que esteja participando de qualquer conversa nos bastidores. "Mas vejo pelas entrevistas e pelo que sai na imprensa que o presidente do partido conversou com o governador, com Eliane, com Ana Lúcia, com Gualberto, mas não sei o teor das conversas. A minha corrente teve uma conversa com Eliane para saber o que ela irá definir da vida política dela. Mas sobre isso quem deve falar publicamente é ela própria", reforçou Márcio Macêdo, que é a principal liderança da corrente interna Construindo um Novo Brasil (CNB) em Sergipe.
O ex-deputado federal reforçou que houve um equívoco da parte de Ana Lúcia ao afirmar que deduziu que ele não queria apoia-la. "Não contribui para a desistência de Ana Lúcia. Nunca vetei a candidatura dela. O que falei em entrevista para a imprensa no final do ano passado é que não tinha nenhum veto, mas que também não tinha, como não tenho, nenhuma adesão incondicional no partido, sem antes construir conjuntamente com a participação da militância. Ela se precipitou. Acho que o argumento dele de que deduziu algo a partir das minhas entrevistas é muito complicado", pontuou.
Márcio lembrou que em 2000, quando Marcelo Déda disputou a prefeitura de Aracaju, houve um debate interno, que culminou no consenso em torno do nome dele. "Com Déda candidato a prefeito fizemos um debate. Até mesmo propusemos que Ana Lucia fosse a vice dela, o que não aceitou à época. Na última eleição de Aracaju, teve prévias entre Ana e Rogério. É o processo natural do PT. Acho que qualquer candidatura tem que ser construída. A corrente da qual eu faço parte teve reunião com o grupo de Ana Lúcia. E na sexta-feira, que antecedeu o anúncio da desistência dela, minha secretária e eu mesmo passamos o dia inteiro telefonando para Ana Lúcia, mas ela não nos atendeu. Lamento que ela tenha retirado a candidatura dela", ressaltou.

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