Operários do Porto de Sergipe ameaçam fazer paralisação

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Profissionais que prestam serviços para a empresa VLI Operações Portuárias SA estão lutando na justiça por direitos adquiridos por meio de acordo coletivo firmado para o biênio 2014/2016. Paralelo ao fato de não dispor de benefícios como reajuste salarial de 10.36%, além de abono de R$ 1.400, cerca de 70 trabalhadores estão sendo pressionados pelo poder empresarial a aceitar as irregularidades promovidas pela companhia diante da ameaça de demissão àqueles que discordarem das imposições.
Apesar do receio em perder os empregos durante este período de instabilidade econômica no Brasil, a classe trabalhadora buscou a direção do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Prospecção, Pesquisa, Extração e Beneficiamento de Minérios e Trabalhadores Portuários, Portuários Avulsos e com Vínculo Empregatício nos Estados de Sergipe, Alagoas, Pernambuco e Piauí (Sindimina), e protocolou a denúncia. Ao analisar as informações aprestadas pelo grupo de funcionários, a gestão sindical identificou que, já no primeiro ano de vigência do acordo coletivo, a VLI, que atualmente substitui a Vale, descumpriu o que havia articulado administrativamente com os trabalhadores.
Na tentativa de buscar diálogo pacífico com os diretores da empresa, os operários realizaram quatro abaixo-assinados, mas não obtiveram respostas. Entre as perdas contabilizadas pela classe está a redução no valor do ticket refeição de R$ 600 – na época da Vale, para R$ 300, agora com a VLI Operações Portuárias. Em entrevista concedida ao Jornal do Dia, o sindicalista João Capelão destacou que a direção do Sindimina já acionou o departamento jurídico sindical a fim de exigir da empresa contratante o repasse integral de todos os benefícios que são de direito da classe trabalhadora.
"É inadmissível que a empresa gere aos funcionários tamanho prejuízo sendo que a própria VLI foi quem construiu o acordo coletivo junto aos seus servidores. Retirar os benefícios que foram concedidos com a promessa de perder o emprego além de imoral é desumano com aqueles que honram e executam todos os serviços necessários. O Sindimina reprova este tipo de atitude e na defesa do cidadão trabalhador já tem adotado as medidas necessárias para evitar que essa situação permaneça prejudicando dezenas de famílias", exaltou Capelão.
Como forma de resposta para todas as ações judiciais já impetradas no próximo dia 05 de maio ocorrerá no fórum do município de Maruim, no turno da manhã, a primeira audiência judicial que deve analisar as denúncias apresentadas pelos trabalhadores. Ainda conforme destacado por João Capelão, para obter êxito no pleito reivindicado, é de fundamental importância que todos os servidores que se consideram lesados estejam unidos e dispostos a integrar todos os atos e ações articuladas pela direção sindical. O representante do Sindimina não descarta a probabilidade de paralisação já para o próximo mês de março.
"Vivenciamos num país de democracia forte, onde o trabalhador tem o direito legal de ir às ruas, cruzar os braços e protestar sempre que observar irregularidades promovidas pelo contratante. Por esse motivo, em especial, é que não podemos afirmar que não se estuda essa probabilidade. Torcemos para que os erros sejam reparados e não seja necessário adotar tal medida. Se for o caso, o Sindimina está disposto a apoiar o filiado que atua na VLI", pontuou. De antemão, a gestão sindical já deixou claro que não tem interesse em renegociar o acordo coletivo 2014/2016, conforme sinalizado por representantes da empresa.

Compartilhe esta notícia