Milton Alves Júnior
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Famílias da ocupação ‘Nasce uma Esperança’, situada no bairro Santa Maria, invadiram na manhã de ontem o Centro Administrativo Aloísio Campos, sede da Prefeitura de Aracaju. O ato público teve início por volta das 8h, quando os manifestantes voltaram a pressionar o prefeito João Alves Filho a fim de conquistar o repasse de auxílio moradia para todos os proprietários de barracos. Por ordem judicial, cerca de 400 famílias devem deixar o local até a próxima segunda-feira, 07, e evitar possíveis embates com a Polícia Militar.
Cercados por agentes da Guarda Municipal, os ocupantes foram recomendamos a deixar o prédio público, mas até as 18h30 continuavam circulando pelos corredores do poder municipal. Sem obter reposta que agradasse os populares, a coordenação da ocupação garantiu permanecer pleiteando benefícios e resistir à reintegração de posse até que os pleitos apresentados sejam atendidos. Na avaliação do auxiliar de serviços gerais desempregado, Luciano dos Santos, as famílias decidiram pela ocupação do Centro Administrativo devido à falta de diálogo por parte da prefeitura. Ele reafirmou o desejo de dialogar em caráter de urgência com o prefeito João Alves.
"O que deixa a gente irritado com toda essa situação de calamidade é que o prefeito sabe das nossas condições precárias de vida, e sequer se reúne com a gente. Não foi essa a promessa que receberam nossas famílias quando pediram nosso voto de confiança. Sempre buscamos conversar sobre nosso auxílio moradia, mas nem agora que chegou a ordem de despejo ele se mostra interessado em receber uma comissão. Por isso iremos continuar protestando e lutando para que nossos barracos não sejam demolidos", avisou. Sem condições financeiras para alugar um imóvel sem a ajuda da PMA, o grupo ressalta ainda que não possui outro local para morar e que temem a chegada do inverno.
A diarista e cuidadora de idosos Ana Angélica Sousa, 31 anos de idade, alegou que o dinheiro que recebe com os trabalhos é apenas utilizado para comprar alimentos para a família formada pelo marido e mais três filhos. Um deles, com um ano e dois meses de vida. Preocupada com o que pode ocorrer já a partir da próxima segunda-feira, ela demonstrou interesse em erguer barracos junto a outros ocupantes da ‘Nasce uma Esperança’, nas intermediações da Prefeitura de Aracaju. Conforme destacou Ana Angélica, essa é uma das únicas alternativas de chamar a atenção dos atuais gestores públicos, em especial, o prefeito João Alves, e o vice, José Carlos Machado.
Por meio de nota, a Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social informou que até o início da tarde de ontem não havia recebido a determinação judicial para conceder auxílio-moradia às famílias que permanecem ocupando uma parte da área do bairro Santa Maria, popularmente conhecida como Ponta da Asa. Quanto ao cadastro que concede este benefício financeiro, a Semfas declarou possuir uma lista de aproximadamente 1.300 famílias que atualmente já recebem o auxílio moradia por meio da Prefeitura de Aracaju. Em números, este benefício na capital sergipana apresenta um orçamento previsto para este ano de 2016 de mais de 4 milhões de reais.
"Agora o que eles dizem pra gente é que não tem dinheiro para resolver nosso problema. Certo, e agora, a gente vai morar aonde? Se não tem auxílio, então que ajude a brigar na justiça para que não tomem as nossas casas. Lá temos idoso, deficientes e um monte de crianças que, se realmente a gente tiver que sair de lá na semana que vem, todos vão acabar indo para as ruas morar debaixo de viadutos, pontes e em praças. Se tiver que sair de lá eu venho aqui pro lado da prefeitura. Só assim eles vão ver a gente todo dia e quem sabe paguem o nosso auxílio que não sai nunca", lamentou o manifestante João Éverton dos Santos, de 36 anos. As manifestações em frente ao Centro Administrativo Aloísio Campos não têm previsão para acabar.


