Milhares em ato pela democracia

Um ato alusivo aos 52 anos do Golpe Militar foi realizado no final da tarde de ontem na Praça General Valadão, centro de Aracaju. Prestigiando o movimento, milhares de militantes partidários e sindicais percorreram as principais vias do bairro. Nas ruas e avenidas, os manifestantes chamaram a atenção da população para a necessidade imediata de fortalecer a democracia nacional e evitar que novos golpes possam manchar, ou minimizar o direito de expressão e de luta pelos reais interesses do coletivo.

Sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) começaram a chegar no ponto de encontro ainda no final da manhã juntamente com centenas de assentados do Movimento dos Sem Terra (MST) que vieram de vários municípios sergipanos a fim de fortalecer o ato. Por volta das 15h começaram a se aproximar pessoas ligadas a partidos políticos de esquerda, além de defensores da democracia brasileira, a exemplo da ala opositora da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), seccional Sergipe, que se mostram contrários ao pedido de impeachment protocolado na semana passada pela própria Ordem contra a presidente Dilma Rousseff (PT).

Essa foi a segunda vez em menos de 15 dias que militantes sergipanos decidem ocupar as vias públicas para explanar o apoio à presidente da república e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 18 de março o movimento popular contou com a adesão de aproximadamente 22 mil pessoas, segundo a organização. Na tarde de ontem a perspectiva da organização é que pouco mais de 30 mil pessoas participaram do encontro denominado: ‘O Brasil não há espaço para novo golpe’.

A executiva do Partido dos Trabalhadores, de Sergipe, voltou a apresentar anseio em continuar inflamando os petistas a defender a história do partido e de Luís Inácio Lula da Silva. Conforme destacado pelos gestores regionais do partido, Lula, sobretudo, foi um dos principais militantes operários do país a lutar por vários anos contra a força militar e pela implantação da democracia no Brasil. De acordo com o ex-deputado federal, e atual presidente do PT/SE, Rogério Carvalho, Lula está sendo ‘injustiçado’ por ser alvo de denúncias, segundo ele, sem fundamento legítimo. Conforme analisa Carvalho, a operação Lava Jato contra o ex-presidente se configura em novo Golpe.

"Depois de tantos anos usufruindo do real sentido democrático não vamos agora admitir que um grupo oportunista queira destruir a nossa história de luta. Sem provas reais, esse pedido de impeachment não passa de uma tentativa medíocre de tirar uma gestora que foi eleita com o voto do povo. Ser oposição ao governo é uma coisa, querer tirar Dilma Rousseff a força é golpe. 52 anos depois de um golpe, marcado justamente no dia 31 de março, nós não vamos permitir que o Brasil volte a sofrer", declarou.
Durante a marcha o grupo destacou que não é contra as investigações sobre os atos de corrupção, mas recrimina a suposta tentativa de impeachment ‘liderada’ por partidos que hoje formam o bloco de oposição ao Governo Federal.

Para a deputada estadual Ana Lúcia, é preciso que a população tenha conhecimento das articulações produzias pela TV Globo contra o Estado Democrático de Direito. Segundo a parlamentar, as mesmas atitudes atualmente apresentadas se assemelham as protagonizadas em 1964. Ela ainda aproveitou a presença representativa da classe trabalhadora para defender o mandato de Dilma Rousseff. "Dilma não tem nenhum processo que represente com embasamento jurídico o pedido de cassação. A oposição, a cúpula nacional do PMDB, a OAB e parte do judiciário quer derrubar Dilma somente porque ela pagou a bolsa escola, por exemplo, e deixou pra pagar junto a bancos públicos dois dias depois. Não vai ter golpe", disse.

Na avaliação feita pelo sindicalista Rubens Marques, as manifestações realizadas na tarde de ontem em todo o país foram suficientes para mostrar que o povo, apesar de impactado com as denúncias de corrupção, entende que os pedidos de impeachment e investigações ‘abusivas’ contra Lula não passam de manobras arbitrárias e antiéticas promovidos por extremistas da oposição. "No fundo eles têm medo de Lula se tornar ministro, contribuir para que o Brasil volte a alavancar, e em 2018 ele esteja apto para comandar o país por mais quatro anos. Investigar é preciso e democrático, mas ser arbitrário já se configura em medida ditadora, é ditadura no Brasil nunca mais!", declarou o sindicalista que concluiu dizendo:

"Dilma é guerreira e vamos continuar defendendo o mandato dela até que apareça uma denúncia que verdadeiramente a incrimine. Por enquanto não passa de uma tentativa fajuta de derrubar a força a nossa democracia e a esperança do trabalhador em conquistar novos progressos". A marcha de ontem foi concluída por volta das 19h no bairro Industrial. O ato seguiu com apresentações de grupos musicais e danças. A coordenação do movimento não divulgou datas de possíveis novas caminhadas pró democracia e pró governo Dilma.

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